OPINIÃO DA FOLHA
Informalidade forçada
Terceirização, franquia, informalidade e outras novidades econômicas surgiram como propostas interessantes nos últimos anos, mas nem todas passaram para a história como alternativas viáveis. Algumas ficaram apenas como modismo, pois não se adequaram aos diferentes momentos econômicos do País.
São exemplos a terceirização e a franquia. No caso da primeira, houve um momento de euforia e boa parte das empresas nacionais, principalmente as de médio porte para cima, entraram na novidade. A estratégia incluía a redução dos custos de produção e, mais importante, a concentração dos esforços na atividade principal da empresa. Algumas deixaram a faxina para firmas especializadas, outras terceirizaram a burocracia. Para a indústria, os frutos foram mais saborosos, com determinados complexos repassando a produção de componentes. Tinha tudo para dar certo, mas é difícil avaliar, ainda hoje, se os entraves surgiram porque a receita adotada no Brasil foi errada ou se a economia, instável e puxando para a recessão, tornou impraticável um país economicamente moderno. Muitas daquelas empresas, consequentemente, tiveram que dar passos para trás. E um bom número de terceirizados teve que fechar as portas.
O caso da franquia não é tão grave, mas gera algumas queixas dos franqueados. É muito provável que também neste caso os solavancos sofridos pelo mercado coloquem os empresários que optaram por este tipo de negócio em baque. Sujeitos a regras e normas rigorosas, muitas vezes incompatíveis com as nacionais, quando a franquia é multinacional, estes têm motivos de sobra para acordar e dormir preocupados.
Diferente da informalidade, que também é uma opção antiga mas ganhou vigor mais recente, agora não como alternativa de livre escolha, mas como tábua da salvação. Já houve um tempo em que a informalidade era um sonho. Trabalhar por conta, desvencilhado do patrão e do cartão de ponto, era projeto de muitos trabalhadores com carteira assinada. Até vender água na praia, ganhando apenas o suficiente para viver, alimentava expectativas. Não foi de todo ruim esse sonho para uma minoria que buscou esta opção e colheu resultados. Alguns até viraram patrões, tão frutíferos que foram os seus negócios, na maioria das vezes iniciado com a família. Devem, agora, imaginar o quanto seria interessante não ter empregados. E nem patrões.
A questão é que a informalidade atual é forçada. A crise econômica e o desemprego é que cria esta situação, levando pessoas demitidas e sem chances de serem recolocadas no mercado a trabalhar por conta. Há, no entanto, uma consequência que pode ser grave. Na informalidade, nem todos têm condição e muito menos preocupação com o futuro. Em alguns casos, ganha-se hoje para comer amanhã. E já há muitos desassistidos, que jamais contarão com a aposentadoria, por mais baixo que seja o valor pago ao aposentado. Eis uma dor de cabeça para o Estado resolver com urgência, até por ele ser culpado desta situação.





