OPINIÃO DA FOLHA
Efeito das greves
Greves tornaram-se instrumentos reivindicatórios viáveis apenas para um segmento distinto do trabalhismo brasileiro: o do funcionalismo público. A recente paralisação de um dia do pessoal do Banco do Brasil, felizmente, não foi à frente graças à negociação entre as partes, o que demonstra que tanto de um lado quanto de outro o bom-senso foi imperativo. Não é o que ocorre com a Caixa Econômica Federal, onde o fechamento de um acordo era dificultado. Agora, os servidores das universidades estaduais paranaenses acenam com a possibilidade de mais uma greve, quando, em alguns casos, como o da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os reflexos negativos da última paralisação afetam toda a comunidade envolvida, principalmente os estudantes.
A greve é um direito assegurado constitucionalmente, desde que seja por causa justa e respeitados os procedimentos legais para deflagrá-la. Então a greve pode ser legal, mas tende a se tornar imoral, ou injusta, quando se cumpre ritos exigidos pela Justiça, mas esquece-se da parte mais afetada, que não é o patrão, no caso o governo.
No caso das instituições financeiras, sabe-se que os grandes bancos estatais há muito deixaram de ter o perfil de uma estrutura existente mais para o atendimento de interesses sociais. O mercado exige competitividade e mesmo o governo, se mantém um banco, precisa torná-lo viável financeiramente. Não haveria razão de fazer funcionar diariamente, em praticamente todo o País, unidades da Caixa e do Banco do Brasil com prejuízos. E se por ventura exista tal situação, há um equívoco em mantê-la.
Entrentanto, bancos estatais, por estarem justamente vinculados ao Estado, canalizam senão com exclusividade, mas provavelmente com menos custo, serviços destinados inclusive a pessoas que jamais tiveram uma conta corrente aberta em qualquer instituição financeira. Como é o caso do trabalhador de baixa remuneração, que recorre ao banco estatal para o saque do PIS ou do FGTS. Além desses, inúmeros outros serviços jamais despertariam a atenção dos estabelecimentos privados, por representarem pouco ou nenhum lucro na operacionalização.
Então a greve do pessoal da Caixa causa prejuízos a milhares de pessoas. Grandes correntistas, com acesso à rede de informática e de meios que possibilitem transferências de saldos, por exemplo, mesmo a um ritmo mais precário conseguem realizar suas operações. Não é o caso do trabalhador que acabou de ser demitido e precisa ingressar com a documentação para a retirada do FGTS.
E assim se estende a preocupação também para as comunidades universitárias das instituições de ensino superior ameaçadas com a greve. O mérito, aqui, não é de dizer quem tem razão ou não. O que se faz é pedir o bom-senso das partes envolvidas, para que os prejuízos não atinjam pessoas que nada têm a ver.





