Vontade de ser solidário
O município de Florestópolis, no Norte do Paraná, berço da Pastoral da Criança, um projeto social de sucesso incontestável em todo o País, merece outra vez evidência também como resultado de intervenção em benefício de uma população que exige extrema atenção por parte das autoridades. Mas como também está registrada na história da Pastoral da Criança, que está comemorando 20 anos de fundação, o projeto ''Construindo o Futuro'' envolve segmentos da sociedade que nada tem a ver com o poder público.
Destinado a adolescentes e jovens, sobretudo aqueles em situação de risco, o ''Construindo o Futuro'' tem a participação fundamental de um proprietário rural, que doou parte de suas terras para algumas das atividades, como a horticultura. A partir dessa iniciativa solidária, percebe-se que muitas outras mãos, de pessoas abnegadas que fazem das ações voluntárias uma necessidade, estão envolvidas no trabalho que mostra caminhos menos tortuosos para aqueles que, de forma contrária, nem saberiam para onde ir.
Solidariedade é palavra forte hoje em dia. Mais do que um ato de dar e se doar, é uma vontade que existe em alguns, sejam grande ou pequenos, pobres ou ricos, felizes ou infelizes, satisfeitos ou insatisfeitos consigos mesmos. Em realidade, o que se destaca nessa gente é a busca de um conforto para terceiros, que por força das circunstâncias encontram-se em situação muito pior a daqueles que os confortam.
Por isso se diz, em alguns meios, que o sentimento de solidariedade é mais forte e a sua ação, consequentemente, mais presente entre os que enfrentam mais dificuldades. Trata-se de um dito popular, não se defende uma tese aqui. E por ser expressão que vem do povo merece, no mínimo, respeito.
Compare-se, então, os efeitos dos trabalhos de Florestópolis com os programas sociais bancadas pelo poder público, em suas diferentes esferas. A Pastoral da Criança e o Construindo o Futuro salvam vidas, mostram caminhos, abrem perspectivas para os beneficiados. Já a maioria dos programas oficiais paternalizam as ações. Quando muito, resolvem questões emergenciais e possibilitam curto tempo de duração de seus efeitos.
Pior de tudo é que não deixam lastros. Assim, pouco se extrai dos projetos que, em alguns dos casos, apenas beneficiam seus autores, no mínimo com a possibilidade de votos nas eleições.

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