OPINIÃO DA FOLHA
Luz no fim do túnel
Otimismo e pessimismo têm reações imediatas na população e nos meios de produção, comércio e serviços, já que o enfoque aqui é o de mercado. Números fundamentados cumprem o papel de eliminar o conteúdo suspeito de determinadas informações, pois sabe-se que, às vezes, manipulações são trabalhadas visando influência nas situações que se apresentam.
Não é o que se pode dizer da sondagem divulgada na quinta-feira e publicada ontem pelos jornais, sobre o crescimento da confiança do empresariado no terceiro trimestre do ano. O índice é medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e aponta alteração para cima, de 7,3%, em relação a julho de 2003. Evidente, a pesquisa é limitada ao empresário da indústria, mas este é uma das pontas de todo o processo e envolve um dos segmentos fundamentais de praticamente todas as cadeias.
De acordo com o levantamento, a confiança não está ligada apenas à proximidade do fim de ano, quando se espera mais vendas e, portanto, mais produção. O humor do empresariado também melhorou em muito em relação à economia brasileira. Isto é muito importante.
O que se observa é que medidas políticas que contornem as sucessivas crises foram, quando muito, tímidas. Então não se pode dizer que as reações estejam ocorrendo pelas mãos do poder. Redução da carga tributária incidente sobre alguns itens são muito pontuais. Não serviu para os veículos e ainda não se tem clara idéia de efeitos sobre fogões e geladeiras, por exemplo, setores que conseguiram diminuir o peso dos impostos e dos tributos contemplados por medida do governo.
A resposta poderia estar relacionada ao exagerado número de financiamentos para as classes menos privilegiadas lançados recentemente pelo governo. O ideal que não fosse isso. Imagine que, de posse de um financiamento, o cidadão gastou mais no terceiro trimestre. Automaticamente, o consumo melhorou e o mercado ganhou mais dinâmica. O tomador do empréstimo terá que pagar o financiamento, em quantas parcelas forem possíveis, e nesse período de amortização do que deve não poderá comprar como no trimestre em referência. Assim sendo, infelizmente o salto para cima foi apenas um rompante, sem possibilidade de ocorrer periodicamente.
Deseja-se, assim, que estas medidas políticas pontuais tenham menor reflexo possível sobre a alavancagem do mercado. Melhor seria que, além da euforia do final de ano, estimulada pelos apelos do Natal e do Ano Novo, o humor do empresário brasileiro tenha voltado por este vislumbrar, dentre as nuvens das crises, que por conta própria é possível encontrar meios de dar novo ânimo à economia nacional. Tem-se dito que em determinados setores a interferência governamental mais atrapalha do que ajuda. Não é bem assim. A macroeconomia é papel do Estado e exige manuseio, com o perdão do termo, inteligente.





