OPINIÃO DA FOLHA
Quadro preocupante
Renda em queda, desemprego em alta e juros elevados estão levando o consumo ao abismo, apesar de alguns momentos de euforia do empresariado nacional. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado de mais um estudo, relativo ao mês de agosto. O dado mais alarmante: as vendas do comércio no País registraram queda de 5,9% na comparação com o mesmo mês de 2002. A síntese: o consumo brasileiro entrou em agosto no seu nono mês de retração.
Feita em todos os estados e também no Distrito Federal, a pesquisa aponta ainda que em 2003, o varejo acumula uma queda de 5,49% e, nos últimos 12 meses, a retração é de 4,15%. O setor mais afetado, segundo a pesquisa, é o de hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que em agosto apresentou retração de 5,76% no comparativo com o mesmo mês de 2002 e no ano amargou um acumulado de 6,41%. Os demais números divulgados da pesquisa são relacionados a agosto, nas seguintes áreas: veículos e motos, queda de 16,22%; combustíveis e lubrificantes, queda de 8,85%; tecidos, vestuário e calçados, queda de 6,67%, e demais artigos de uso pessoal e doméstico, com queda de 6,18%, além de móveis e eletrodomésticos, cuja retração em agosto é menor, de 1,35%, no comparativo com o mesmo mês do ano passado.
Saindo dos números, qualquer análise que se faça da situação econômica do País, cujos efeitos são estes que se apresentam, levam a uma conclusão de certa forma polêmica, mas real. O Brasil parou nos últimos oito anos anteriores à posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por culpa de uma política econômica estagnante, pois excessivamente preocupada em segurar a inflação, mas com uma fórmula equivocada.
Se por um lado águas passadas não movem moinho, por outro deve ser levado em conta que, no caso da economia brasileira, os reflexos de cada um dos pacotes lançados pelos governos que se sucederam foram, com raríssimas exceções, nefastos. A era de Fernando Henrique Cardoso, com o Plano Real, iludiu de princípio, mas fez o País permanecer no lugar. E pegou o substituto, Lula da Silva, no contrapé já no período de transição.
Mas estamos em outubro, é o décimo mês após a posse. Uma reforma tributária ameaça o setor produtivo, conforme recente estudo divulgado pela Confederação Nacional da Agricultura, e de quebra, achatará ainda mais o poder de compra do consumidor brasileiro. Além de propostas e de planos emergenciais, nada ainda foi feito. Os números mostram um quadro de deterioração. Embora tarde, sempre é tempo para algo que melhore a situação.





