OPINIÃO DA FOLHA
Amanhã é dia dele
Milhares deles deverão descansar nesta quarta-feira, 15 de outubro, até por efeito de um evento comum na maioria das escolas brasileiras, a chamada semana do saco cheio. Alguns merecerão carinho por parte do público com que lidam diretamente. Outros verão a data comemorativa a uma importante categoria profissional passar em branco.
O professor brasileiro pede socorro. Mal pago e pouco reconhecido, ele enfrenta no seu cotidiano dilemas que extrapolam os quadrantes da área educacional e torna-se um quase refém nas salas de aula, principalmente das escolas públicas. É vítima direta da violência, a mesma que atinge seus alunos e familiares, cujas consequências, em muitos casos, batem na lousa instalada na ponta da sala.
A questão salarial é a primeira pedra no sapato. Em algumas localidades do País, o professor, ainda hoje, já no correr do terceiro milênio, recebe salário que avexaria trabalhadores de alguns setores que não exigem tanta qualificação quanto a de um mestre. Sem dinheiro, o professor não tem como se reciclar.
Como adquirir livros, jornais e revistas? Como dedicar alguns minutos da semana para acessar a rede de informática que atualiza informações em segundos, se os custos dos equipamentos e da telefonia tornam este meio impraticável? A escola dispõe de computador? No Paraná, reportagem recente mostrou que um estabelecimento de ensino de Londrina tem os seus microcomputadores, mas por falta de técnicos que façam a manutenção e os reparos necessários, os mesmos permanecem desligados.
No outro pé do professor, outra pedra, com mais pontas e de maior tamanho. Os pais de alunos, atropelados pela correria em busca de sustentação da família, costumam entender a escola como a responsável por todo o processo de formação de seus filhos. E o professor não é mágico. Mas a sociedade, que pouco se empenha para as autoridades darem o devido valor ao mestre, exige milagreiros.
E agora a violência, que transpõe os muros das escolas e chega às salas de aula. Sim, o professor é tão vítima quanto o seu aluno e os moradores da comunidade que cerca o estabelecimento de ensino. Em determinados momentos, o mestre é ameaçado, desrespeitado e não consegue reagir. Assim, cada vez mais vê escapar de suas mãos a chance de desempenhar o seu papel com dedicação e prazer. Deixa de ser participativo, percebe-se vítima das circuntâncias. E o ensino decai, enquanto a sociedade, incluindo as suas autoridades, fecha os olhos.





