OPINIÃO DA FOLHA
Desarmamento
Estamos todos estarrecidos com os níveis de criminalidade no País. De norte a sul e de leste a oeste, em todas as cidades com população superior a cento e cinquenta mil habitantes, os índices de criminalidade crescem mês a mês. Estes fatos levaram algumas pessoas, em geral parentes de vítimas destas brutalidades, a clamarem pelo desarmamento geral da população. Bandeira logo assumida por canais de televisão, parlamentares e tantos outros líderes civis ou entidades de classe das mais diversas categorias.
O tema é da maior complexidade. O resultado prático do desarmamento geral é duvidoso, pois são raros os casos de bandidos se apropriarem de armas pertencentes a estas pessoas e raros também são os casos, ainda que chocantes, de crianças que usam destas armas para brincar ou mostrar para amigos e que acabam em tragédias.
São três as fontes mais conhecidas de abastecimento de armas para os bandidos. Primeiro é o contrabando, em segundo policiais corruptos que vendem armas apreendidas ou fazem parte de quadrilhas de contrabandistas, e terceiro e em menor escala o Exército, de onde são roubados armamentos pelos próprios bandidos ou por uma minoria de soldados e repassados às quadrilhas.
Uma legislação inadequada sobre assunto tão complexo pode acarretar graves consequências para a própria população indefesa. Consequências estas que seriam a da elevação dos custos de aquisição de armas pelos bandidos. Devido à proibição de comercialização de armas, os fornecedores, não os fabricantes, mas aqueles três intermediários, obviamente elevarão os preços dos equipamentos.
Quem quiser comprar qualquer tipo de arma terá que pagar mais caro pois não há disponibilidade no mercado. Obviamente os bandidos não deixarão de comprar e sendo o preço mais caro, terão que assaltar mais e, provavelmente, matar mais para conseguir mais fundos para aquisição de seus equipamentos bélicos.
Entendemos ser a questão da segurança assunto da maior preocupação, mas é preciso deixar a demagogia de lado e retirar as armas das mãos dos bandidos em primeiro lugar e não oferecendo à população uma panacéia, para que o Parlamento possa dizer como Pilatos: fizemos nossa parte, esta aí uma legislação rigorosa, agora lavamos nossas mãos.





