OPINIÃO DA FOLHA
Polícia inteligente, necessidade real
Algumas ações anunciadas na sexta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná, para reduzir a criminalidade em Londrina e região, já se faziam necessárias há tempos e se estivessem em prática teriam apresentado alguns resultados positivos. Perceba-se que na sua vinda à cidade, para apresentar um plano de combate à violência, o secretário Luiz Fernando Delazari trouxe um pacote de medidas que visam um sistema policial diferente do que temos. O conceito é de corporações tecnificadas e de atitudes inteligentes, havendo, portanto, necessidade de ferramentas físicas compatíveis e de pessoal altamente qualificado.
Essa proposta, felizmente, não é coisa de cinema americano ou europeu. É possível. Exige, é certo, o necessário investimento. Pede também, a médio e longo prazos, o treinamento ou a substituição dos funcionários da segurança pública, pois pouco efeito tem a reciclagem para pessoas que não desejam se aperfeiçoar. E quando se toca nesta questão, refere-se não somente ao preparo técnico, mas principalmente às coisas da ética e da moral, uma vez que o sistema em vigor, sob a desculpa da má remuneração, criou pessoas acostumadas à busca de privilégios em troca de suas condições profissionais.
Então espera-se que, tanto quanto a conveniência do plano de Delazari, predomine a boa vontade política do governo do Estado, no sentido de que ocorra, em curto espaço de tempo, uma mudança na mentalidade da polícia que temos. É verdade, boa parte da população aguardava um pacote de medidas imediatistas, de efeito rápido mas eficiência duvidosa. Ações mais práticas, sobretudo nas localidades onde a criminalidade atua em flagrante desafio aos organismos policiais, também são necessárias. É a parte curativa, que a sociedade tanto reclama e que precisa ser contemplada.
Mas de nada adianta este tipo de procedimento se não houver continuidade. Ou seja, o enfoque é qualitativo, e não quantitativo. Não serão milhares de policiais os responsáveis pelo fim da onda de violência em Londrina. A polícia precisa de um quadro adequado de pessoal para trabalhar e esta adequação não diz respeito somente ao número de investigadores, delegados e outros funcionários do setor. Pelo contrário, refere-se ao preparo do pessoal e, como não, à idoneidade.
Então, se as medidas anunciadas pela Secretaria de Segurança não atendem necessidades imediatas da maneira como deveriam ocorrer, esta parte da questão continua em aberto, havendo a necessidade de negociações urgentes para que elas sejam contempladas. Mas causa esperança pensar a possibilidade de dispor, em Londrina, de um novo conceito de segurança pública muito em breve.





