Dando a vara para pescar
Iniciativa divulgada ontem por este jornal, em seu caderno Folha Cidade, mostra o real sentido da solidariedade e da procura por alternativas para melhorar as condições de vida da população, visando um desenvolvimento social não-exclusivo. Fazer o indivíduo andar com as próprias pernas, eis uma proposta que deveria predominar entre as autoridades governamentais. E o trabalho objeto da reportagem jornalística, deve ficar claro, parte de uma organização não-governamental. São empresários e profissionais liberais de Londrina há 30 anos envolvidos no voluntariado, através da entidade denominada Sociedade Assistencial e Voluntários Nova Aliança.
Quando não se dá o peixe, mas viabiliza-se a varinha para pescar, o que se faz é apenas a permissão à pessoa que necessita de ajuda para caminhar sozinha, no rumo do resgate de sua cidadania, roubada ao longo dos tempos por fatores que podem ser variáveis. Uma demissão inesperada no passado em momento de dificuldade, uma doença, um acidente, um plano econômico desastroso, tudo pode contribuir para uma guinada na vida à esquerda, o que implica considerar que só em raros casos a exclusão que afeta milhares de brasileiros ocorreu por falta de capacidade de quem é vítima de tal situação.
A miséria e a consequente inabilidade de reação são condições que não se buscam e ninguém as quer. Elas ocorrem e, como areia movediça, aprisionam quase que letargicamente suas presas, até porque fatores psicológicos podem provocar uma espécie de inanição mental. Por isso, o apoio de pessoas ou entidades são fundamentais.
Como é o caso da Sociedade Assistencial e Voluntários Nova Aliança, além de muitas outras que desenvolvem trabalhos parecidos. O que esta entidade provoca são ações para melhorar a qualidade de vida de comunidades carentes, cuidando-se para que os procedimentos não ganhem peso de assistencialismo. Hoje, seus integrantes iniciam a construção de uma creche para as crianças carentes do Jardim Franciscato, um bairro da Zona Sul de Londrina.
À primeira vista e numa análise curta, constrói-se apenas uma creche. Depois, percebe-se que a creche, além de permitir aos pais que trabalhem com mais tranquilidade, proporcionará aos pequenos beneficiados um atendimento não apenas assistencial, mas principalmente escolar e de amparo à saúde. Mas, por fim, será possível concluir que, da edificação de um espaço físico, procurou-se meios para mantê-lo, bem como o que dentro dele funciona. Assim, provavelmente, os próprios beneficiados enxergarão, muito em breve, que daí surgiram os primeiros passos rumo à cidadania e a um futuro melhor.

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