OPINIÃO DA FOLHA
Decisão polêmica
A decisão da reitoria da Universidade Estadual de Londrina de proibir a venda e o consumo de bebida alcóolica no campus da instituição tem sido motivo de críticas e protestos dos alunos. Mais especificamente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que monopoliza a venda de bebidas no campus.
A discussão sobre o tema, que certamente divide a opinião de alunos, professores e pais preocupados com a segurança de quem vai até o campus com a finalidade de estudar, foi amenizada ontem numa reunião entre a reitora da instituição e representantes do DCE.
Através de consenso, ficou acertado que as festas estão suspensas temporariamente até que uma comissão viabilize um centro de convivência estudantil. O espaço, que deve ser organizado ao lado do Restaurante Universitário, vai abrigar atividades culturais e de lazer entre os estudantes.
A comissão formada ontem também vai definir um modo de realizar as festas sem ferir a legislação federal que proíbe a venda e o consumo de álcool em estabelecimentos de ensino. A norma interna da instituição reforça a lei federal.
Apesar do problema do aumento da criminalidade no campus nos últimos 12 meses não ter entrado na pauta da discussão de ontem, não há como não relacionar festas, bebida alcoólica com violência e falta de segurança. A UEL, que tem sido alvo de arrombamentos, furtos e até assaltos à mão armada, aguarda para a próxima semana a liberação de R$ 337 mil pelo governo do Estado, que serão gastos na compra de câmeras e alarmes e na construção de guaritas.
Infelizmente, num universo de milhares de pessoas como é a comunidade universitária da UEL, não deve ser descartada, em hipótese alguma, a possibilidade de em determinada ocasião o álcool ser responsável por ocorrências desagradáveis. O álcool, e isso é inegável, mata no trânsito tanto quanto nas brigas de faca e armas de fogo após alguns excessos.
Mais forte que este argumento, porém, é a lei. E não foi, no caso de uma instituição de ensino superior, por capricho que o governo federal ou algum parlamentar apresentou tal proposta, que debatida e aprovada passou a incorporar o conjunto da legislação nacional. O campus de uma universidade é local de conhecimento, e não de diversão. Londrina, com as suas cinco instituições de ensino superior, não conhece em nenhuma outra delas tal permissividade e alegar que se tratam de escolas particulares é uma desculpa inaceitável.
Quanto mais em se tratando de instituição de ensino público. Imagine o leitor que muitos estudantes que lutam por um diploma universitário só conseguem adentrar um campus por ocasião do vestibular. Por terem frequentado um ensino médio fraco e sem dispor de recursos para um bom cursinho pré-vestibular, o sonho da faculdade se torna distante e quase impossível. Então por que endossar que aqueles que tiveram a chance do ensino gratuito tenham um local de aprendizagem como espaço de lazer e diversão?





