OPINIÃO DA FOLHA
Vitória da saúde
Os ministros da Saúde de 35 países americanos coordenam, esta semana, em Washington a luta contra novas doenças, como a SARS, e antigas, como a dengue, ou persistentes, como a rubéola. Mas comemoram o fato de a região estar declarada livre de sarampo. Reunidos no Conselho diretivo da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS), os ministros ou seus delegados constataram que não há registro de nenhum caso de sarampo nas Américas desde novembro de 2002, vitória somada à erradicação da poliomelite.
Esta situação é resultado daquilo que se convencionou chamar ''vontade política''. O continente americano, através de seus dirigentes, assumiu com disposição a luta para enfrentar males que poderiam ser erradicados através da vacinação. Na verdade, é um atestado de incompetência, podendo ser até considerada criminosa, a aceitação da ocorrência de males que a capacidade humana, através da vacinação e de outras atitudes, conseguiu eliminar.
As vitórias já conseguidas deixam claro o caminho. O desafio agora é reforçar os sistemas de vigilância para enfrentar o avanço de novas doenças como o vírus do Nilo e a SARS, e de males emergentes como a febre amarela e o dengue. Os delegados anunciaram ainda que a OPS unirá forças com o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CCPD) dos Estados Unidos a fim de erradicar a rubéola e a síndrome de rubéola congênita do continente americano antes do ano 2010.
O que preocupa a OPS é que algumas áreas do continente apresentam um aumento dramático de casos de dengue e risco de surgimento de febre amarela urbana.
Para a Organização, os países afetados pela febre amarela devem pôr em prática as recomendações do Grupo Técnico Assessor sobre Doenças Preveníveis por Vacina (TAG) da OPS para prevenir o surgimento de casos da doença em sua forma selvagem, e a reurbanização dessa enfermidade nas Américas. Dentre os conselhos dados pela OPS estão o aumento da cobertura de vacinação nas áreas urbanas com mais de 5% de infestação de casas pelo mosquito Aedes aegypti, controle do vetor e prevenção e controle da forma selvagem para evitar a circulação do vírus.
Apesar da pobreza, que ainda é marca do continente, a vitória na luta contra males evitáveis é alentadora. E aponta o caminho que é de trabalho e vontade política para melhorar a saúde da população em toda a América.





