Estatística e realidade
Embora os números sejam de quase dois anos, pois têm como base o Cadastro Central de Empresas de 2001, foram divulgados somente ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, portanto, são valiosos como base de uma análise. A taxa de natalidade das empresas está crescendo por causas pouco ou nada nobres: o desemprego e a terceirização dos serviços.
De acordo com o IBGE, o número de sócios e proprietários passou de 2,5% em 2000 em relação ao ano anterior para 8,1% em 2001. Evidente, conforme afirmação da gerente de cadastro do instituto, Maria Luiza Zacharias, essa situação é própria da elevação do número de empresas de menor porte, aquelas que ocupam até quatro pessoas, que de 20,9% em 2000 subiu para 24,7% em 2001. No mesmo período, foi registrada redução da taxa de mortalidade, de 12,4% em 2000 para 9% em 2001.
A ter como base os números, os dados possibilitam projeções inclusive otimistas. Mas como, se o quadro real, escancarado em portas de estabelecimentos comerciais fechadas, parecem dizer o contrário? Neste particular, uma ressalva deve ser feita. Os números sobre a redução da taxa de mortalidade dizem respeito à totalidade de empresas constituídas no País. São cerca de 4,7 milhões delas espalhadas pelo Brasil, segundo o IBGE, e estas cresceram 18,7% em 2000 e 21,8% em 2001. Não há, portanto, como saber se a mortalidade afeta maior quantidade de empresas de pequeno porte ou o contrário.
O que se cogita, no entanto, conforme acredita o próprio IBGE, é que a maior pressão do governo pela regularização do pagamento de contribuições das empresas, para participação em licitações ou acesso ao crédito, seja responsável pela queda no número de empresas que encerram as atividades. É que as empresas que não contribuíam regularmente eram consideradas inativas e dadas como mortas pelo instituto.
Então, o que pode estar ocorrendo é uma situação não real. Empresas que já existiam, com a necessária regularização, passaram a existir diante do fisco e também da estatística, o que é, no mínimo, irônico. Eis que ressuscitam-se os mortos.
Pior ainda é constatar que, embora os porcentuais digam o contrário, muitos desempregados montam seus negócios e meses depois são obrigados a fechá-los. E desse mal também não escapam algumas médias e grandes empresas, e nem sempre por equívocos administrativos que se cometem. Alguns são vítimas da instabilidade econômica que ronda o País.

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