Sem cor ideológica
Há pouco mais de um ano das próximas eleições, um movimento comum à época começa no meio político: a dança dos que pretendem disputar vagas de prefeitos e vereadores obriga uns e outros a buscarem acomodações nos partidos políticos.
A necessidade de mudança de sigla está relacionada a alguns fatores que são fundamentais para o sucesso do pretendente. Busca-se, por exemplo, a sigla e a coligação que proporcionem maior espaço de tempo na televisão e no rádio para o candidato. É de supor que, para muitos, a questão ideológica é a última das prioridades, onde se percebe um suposto candidato de esquerda alinhado a um partido de centro ou de direita, quando não é o político de flagrantes idéias de direita enfileirado na esquerda e, por força da circunstância, discursando como o combativo homem público de idéias avançadas.
O político também muda de sigla para ter a possibilidade de candidatura mais facilidade. Pode ser que no partido a qual está vinculado o seu espaço esteja restrito, então ele migra para outra agremiação política que lhe dê apoio para disputar as eleições. Como no caso anterior, aqui a ideologia é menosprezada.
Sim, mas estes exemplos, além de muitos outros fatores que colaboram na repetição desta dança partidária, é coisa de bastidor e não mobiliza governos, embora saiba-se que nos corredores das câmaras municipais, das assembléias legislativas e do Congresso, onde se ajuntam a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, os bochichos em torno da sucessão municipais tenham eco tão forte quanto à discussão no plenário das reformas pretendidos pelo governo federal.
Ainda assim, o pecado desta mobilização é menor que um outro, muito mais preocupante. Há poucas semanas, o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que não vai conseiderar cores partidárias e ideológicas nos casamentos que pretende consolidar a partir de agora, e com força total nas eleições municipais de 2004, já visando a reeleição do presidente.
É muito. Faltam ainda três anos e alguns meses para Lula da Silva tentar ou não, via voto, continuar no Palácio do Planalto. E nos oito meses e pouco que ele está no poder muito pouco o governo federal fez, visando devolver ao País não só um bocado de estabilidade, mas principalmente esperança para a população.
O Brasil das mudanças, prometido nos palanques, ainda está muito longe de acontecer. Então o tempo de pensar no futuro político do presidente e do partido não é este, pois águas descerão e nesta passagem há necessidade da equipe no comando do País mostrar que está aqui para fazer alguma coisa. De outro jeito, o que fica claro é que o Brasil não está para mudanças, pois até quem entrou para mudar já foi tocado pelo embalo do continuísmo e se decidiu a manter, inclusive, um vício político que descaracteriza partidos e políticos e faz muito mal ao País.

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