OPINIÃO DA FOLHA
O futuro será de glórias
Passado o efeito da derrota em casa e da perda da última chance do Londrina Esporte Clube conseguir classificação para a segunda fase da Série B do Campeonato Brasileiro, e mesmo diante da notícia sobre o desinteresse do grupo gestor de continuar à frente do futebol profissional, a partir de dezembro, o momento é de séria reflexão sobre a equipe, o clube e os milhares de torcedores.
Em primeiro lugar deve ser considerado o importante papel desempenhado por esse grupo gestor, que soube unir amor ao time e visão empresarial no comando de um negócio cujo principal lucro são os resultados positivos e as alegrias proporcionadas à torcida. O tempo foi curto demais para que, por mais esforço que se fizesse, as contas do Tubarão ficassem redondas, ou pelo menos mais administráveis. O que implica considerar que a situação financeira que o grupo gestor deixa como herança para quem pretende assumir o clube a partir de janeiro não é um desastre. É o resultado entre o que o grupo herdou, quando assumiu o Londrina, e conseguiu acertar, durante o período de gestão. Milagres não acontecem, nem mesmo no futebol, embora antigos cronistas, cartolas e boleiros costumassem usar dessa expressão.
Quanto à formação de uma equipe competitiva, também não havia como o grupo gestor esbanjar dinheiro em contratações caras. Craques famosos até viriam para a cidade, mas seriam talentos ocasionais, que depois de encerrada a temporada retornariam aos seus clubes de origem ou a outros interessados. A formação de talentos é um mérito e o Londrina já deu importantes passos nesse sentido. É um trabalho de resultado demorado, mas com certeza promissor. E mesmo os jogadores que vieram de fora foram contratados com salários que não podem ser considerados injustos se comparados com aos dos atletas formados em casa.
Com este conjunto, o Londrina Esporte Clube conseguiu montar uma equipe que mexeu com a cidade. Verdade, em alguns momentos provocou revolta dos torcedores e indignação da crônica esportiva. Mas qual equipe de futbol não cria polêmica? A verdade é que, de acordo com o que foi possível ser feito pelo grupo gestor, os onze do Tubarão entraram em campo pensando em sair, 90 minutos depois, com uma vitória, o que nem sempre foi possível.
Agora, para quem quer que seja a assumir este time, que leva o nome e o coração de uma cidade inteira, a proposta mais viável a partir de janeiro é aproveitar a base administrativa deixada pelo grupo gestor e pensar no futebol empresa, receitas que já são praticadas em Londrina pelo PSTC (Paraná Soccer Technical Center) e pela própria Portuguesinha. E, como futebol empresa, o melhor é esquecer de vez a possibilidade de apoio financeiro do poder público. Este tem outras obrigações a cumprir, tem deveres de diferentes áreas para com a sociedade. Pode não acontecer ainda em 2004, mas, pela vontade dos torcedores e, sobretudo, daqueles abnegados que dormem, acordam, almoçam e jantam pensando no Londrina, este time ainda vai trazer muitas glórias.
E a consideração mais importante, neste momento, é o sincero agradecimento aos membros do grupo gestor, da comissão técnica e aos jogadores, que se não conseguiram fazer melhor, lutaram como puderam.





