Carreira política
A polêmica está criada, a partir do anúncio da posição do arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin. Ele quer os padres londrinenses fora das eleições de 2004, que elegerão prefeito e vereadores. O arcebispo recorre ao Código de Direito Canônico da Igreja Católica para lembrar que a conjugação da batina e do mandato eletivo é restringido pelo clero. E vai mais longe: ''Os bispos do Paraná fizeram um documento conjunto por causa do perigo que está havendo. Está na hora de ressuscitar este documento que data de 1997'', afirma, referindo-se à questão de candidaturas de padres.
Um dos pontos fundamentais a ser analisado é a firmeza e a clareza do posicionamento do arcebispo dom Albano Cavallin, que, aliás, apenas confirma a postura exemplar que sempre caracteriza este religioso, em todas as questões que é chamado para interferir ou mesmo apenas opinar. O recado dado pelo arcebispo é objetivo: ''Não é uma recomendação, é legislação. Se um padre disser que como cidadão quer ser candidato, a gente diz que foi avisado que o padre também está sujeito à legislação. O padre é um homem da comunidade. Torna-se quase impossível pertencer a um partido e se dirigir a toda comunidade''.
Outro ponto fundamental é que o que se coíbe não é a limitação do espaço de atuação do pároco apenas na área religiosa. Pelo contrário, a situação social brasileira sempre exigiu destes mais do que a presença no altar. E mesmo que as mais recentes determinações do Vaticano, através da figura do papa, tentem restringir o papel da igreja, impossível no Brasil imaginar um líder religioso alheio aos problemas que cercam a sua comunidade. O padre é, além da autoridade da paróquia a que está designado, o ouvidor de pessoas inclusive de direntes crenças que a ele recorrem, para falar e ouvir sobre assuntos tão variados: a vida familiar, as dificuldades financeiras, as questões comportamentais e a política, não sob enfoque partidário, mas das agruras que ela causa na vida das pessoas por ser mal conduzida por alguns representantes do povo.
Um bom profissional de agronomia, por exemplo, não precisa ser eleito vereador, deputado, senador, prefeito, governador ou presidente para fazer valer seus projetos para a sua área profissional. Sendo um bom profissional de agronomia, ele terá um político para representar seu projeto. O mesmo acontece com o médico, o jornalista, o arquiteto, o enfermeiro, o empresário. E caso a vocação política seja mais forte que a do profissonal da agronomia, então este terá que fazer uma opção: trocar a agronomia pela política. Isto vale também para o padre. Infelizmente, ser político, atualmente, é exercer uma carreira: a de homem público, representante do povo.

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