OPINIÃO DA FOLHA
A força das pequenas
Apesar de carregar nas costas uma enorme fatia da crise econômica nacional, na forma de encargos tributários e também de queda no movimento, o pequeno empresário brasileiro transforma-se em um herói, conforme estudo divulgado durante a semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Usando como base o período de 1998 a 2001, o levantamento mostra que micro e pequenas empresas de comércio e serviços empregavam no primeiro ano do estudo 5,5 milhões de pessoas, e saltaram para 7,3 milhões de pessoas em 2001. A média de crescimento foi de 9,7% ao ano.
E vejam como se comportaram as médias e grandes empresas no mesmo período: estas empregavam no primeiro ano do estudo 4,3 milhões de pessoas, e em 2001 mantinham 4,7 milhões de postos de trabalho. O crescimento médio foi de apenas 2,9% ao ano.
Embora a explicação para o bom desempenho das micro e pequenas empresas em termos de geração de empregos esteja na alta natalidade destas no período, ainda assim o mérito é incostetável. Claro, a explicação respaldada na natalidade é do coordenador do Estudo Especial sobre Micro e Pequenas Empresas, Roberto Saldanha, e pode ser parcialmente aceita: ''Muitas pessoas foram demitidas após as privatizações das estatais e aproveitaram o dinheiro ganho com o Plano de Demissão Voluntária (PDV) para abrir uma empresa'', diz. A ressalva é de que nem todos que montaram negócios saíram das estatais ou tiveram ganhos extras com os PDVs. Mas esta não é a questão.
O importante é que, com mais ou menos empresas classificadas como micro ou pequenas, mais vagas de trabalho estas ofertaram. E o próprio estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística destaca, ainda, que se cada uma das micro e pequenas empresas de comércio e serviços do País, exceto as familiares, contratassem mais um funcionário, o Brasil geraria, de imediato, 1 milhão de empregos.
Com uma projeção tão expressiva, o certo seria que o pequeno e o micro empresários fossem favorecidos com uma carga tributária menos pesada. Verdade, algumas podem ser enquadradas na categoria do Simples, mas ainda assim são penalizadas com os aumentos e reajustes de impostos, tributos, aluguéis, condomínios e tarifas públicas ou controladas.
Por outro lado, comprova-se, mais uma vez, que nem todas as iniciativas municipalistas, de conceder incontáveis incentivos para as grandes empresas, apresentam resultados esperados. Melhor investir nas pequenas e micro. E oferecer, além disso, condições para que estas não tenham que fechar as portas meses depois de abertas.





