O difícil diploma
''Não é mérito, mas, pela primeira vez na história da República, a República tem um presidente e um vice-presidente que não têm diploma universitário. Possivelmente, se nós tivéssemos, poderíamos fazer muito mais.''
A afirmação foi feita ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o lançamento do programa Brasil Alfabetizado. No meio de uma enxurrada de crises, que vai da política propriamente dita à economia, percebe-se, ao menos, vontade de mudar alguma coisa, embora expressada em tom de discurso.
Mas confiável. Quando diplomado presidente da República, dias antes da posse, Lula da Silva também escancarou diante das câmeras de televisão o seu lado cidadão, aquele que nem o sindicalista tinha direito de manifestar. Chorou ao receber o diploma, quando mencionou ser aquele o seu primeiro canudo.
Agora, mais uma vez, quando fala da educação estampa descontentamento pelo fato de ser um presidente sem diploma de curso superior. Bem, se a conclusão de um curso superior, qualquer que seja, é ou não necessário para quem exerce cargo tão importante, isso é outra discussão. Mas fica evidente que a impossibilidade dele, do diploma, incomoda Lula da Silva.
Que assim seja, pois presume-se que, sendo assim, a educação terá certa prioridade neste governo. Verdade, as ações começam das bases, e neste sentido existe uma meta do governo: alfabetizar três milhões de pessoas em 2003, seis milhões em 2004, outros seis milhões em 2005 e cinco milhões em 2006. E, para 2003, os recursos disponíveis são de R$ 278 milhões.
''Essa não é apenas a tarefa do ministro da Educação, do secretário do Estado e do secretário municipal. É nossa, de brasileiros e brasileiras que aprenderam a ler e a escrever e que precisam socializar o que aprenderam.'' A afirmação também é de Lula da Silva. Porém, socializar o que aprendeu o brasileiro já tenta fazer. Talvez o presidente não saiba, mas nestes últimos anos consideráveis projetos tocados pela iniciativa privada aproveitaram o potencial acadêmico de algumas universidades para levar a alfabetização a adultos, principalmente.
Com isso, até canteiros de obras foram transformados por alguns horários das semanas em salas de aula. Professores e estagiários se deslocaram por conta própria para bairros da periferia, levando aos necessitados algum ensinamento.
Faltava a parte do Estado, que agora o faz, embora tardiamente. Muito, porém, ainda tem a ser feito. Da alfabetização ao diploma de curso superior a distância é enorme. Principalmente neste País, onde frequentar uma universidade é uma condição privilegiada.

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