OPINIÃO DA FOLHA
Ideologia jogada no lixo
Faltam ainda três anos e meio para as eleições de 2006, mas o PT, partido de Luiz Inácio Lula da Silva, já pensa na reeleição do presidente. Conforme o que foi anunciado no fim de semana, o Partido dos Trabalhadores já deu início a um projeto, cuja base é a radicalização da política de alianças na eleição municipal de 2004. O processo de escolha dos futuros prefeitos e vereadores, no ano que vem, seria um degrau para as pretensões petistas. O detalhe: a campanha por novas filiações promete ser agressiva e quem quiser terá vaga assegurada no PT, pois ninguém terá que apresentar um suposto atestado ideológico.
Era o que faltava. Já desfigurado, o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é somente uma grande sombra do Partido dos Trabalhadores que colocou em condições de disputar votos nas eleições nacionais pessoas oriundas da massa. Nas eleições gerais de 2002, quando o partido se colocou em campanha com um discurso mais de centro, abandonando rigores ideológicos de outras disputas, a princípio se imaginou tratar-se de uma estratégia. O PT queria aparecer mais simpático às causas do setor produtivo nacional e de segmentos de centro e até da direita, para abocanhar mais votos. E assim Lula foi levado para o Palácio do Planalto.
Os acordos fechados nos gabinetes, para a composição do time de elite do governo, mostraram porém que além da ideologia, muita coisa do Partido dos Trabalhadores original havia se perdido. E todos levaram a sua fatia do bolo, formando uma base aliada que não dá ponto sem nó e sabe muito bem o que faz. Para participar do governo, na condição de aliado, vale tudo. Até equivocar-se na avaliação do desempenho do presidente, que nos oito primeiros meses de gestão ainda nem conseguiu dar partida no seu projeto de mudança do Brasil. O País é o mesmo e, se mudou, apenas tornou-se mais forte na política assistencialista. Quanto à alguma medida mais forte, visando o aquecimento da economia e, consequentemente, a geração de empregos e de oportunidades para os brasileiros, ainda a nota é zero.
Mesmo assim a pretensão petista, ousadamente, aponta ainda mais para a desfiguração do partido. E quem fala sobre essa proposta de filiação e de negociações é o presidente do partido, José Genoíno, figura que mereceria menor dose de suspeitas até pelo seu passado no PT. Então se vê que não há realmente conserto. O poder, quando não humilha, cria falsas expectativas.





