A telecomunicação inviável

Artigo de luxo durante seu lançamento, o telefone celular transformou-se em curto espaço de tempo em ferramenta de trabalho para diferentes categorias de profissionais, desde os autônomos do ramo de encanamento doméstico ao mais alto executivo de empresas de grande porte. E, cumprindo esta segunda finalidade, que não é mais o de simplesmente proporcionar minutos caros de tagarelices, a telefonia móvel deveria ter no Brasil, a exemplo do que ocorre na maioria dos países desenvolvidos, um custo mais baixo. Mas, da mesma forma que ocorre com o serviço fixo, sofre os efeitos de uma privatização mal feita, ocorrida há cinco anos, cujos benefícios não foram diluídos entre os milhares de assinantes por terem sidos sugados por grupos de interesses. Inclusive abrigados no poder público.
O resultado é este: um serviço caro e tecnologicamente inadequado, que amarra assinantes com cláusulas contratuais que mais parecem armadilhas. Que haja justiça. Esta análise, embora generalizada, isenta algumas operadoras que mantém um atendimento de qualidade excelente, mesmo com preços elevados até por culpa de um quase tabelamento instituído pelo sistema. Não é o caso daquela que foi tema de reportagem na edição de ontem deste jornal. E também não é o jornal que aponta o referido problema, pois apurado com incontestável rigor jornalístico, a matéria expõe uma situação que aflige muitos usuários assinantes da referida operadora. A dificuldade de cancelar a assinatura, o descumprimento de acordos e planos e a falta de informações para os consumidores que adquirem os produtos da empresa em pauta são problemas que afrontam direitos garantidos por leis.
Esta situação, infelizmente, é decorrente da privatização promovida há cinco anos. Num momento em que a febre da desestatização era alta, sob o enfoque de que os segmentos economicamente viáveis, nas mãos do Estado, tendiam a emperrar por falta de investimentos e consequente atraso tecnológico, o governo decidiu vender a Telebrás.
A propaganda da época, como sempre ocorre, mereceu considerações de favoráveis e contrários. O setor estatizante combateu a proposta, ao tom de um discurso decorado: o governo cederia para a iniciativa privada um sistema lucrativo. Quanto aos favoráveis, o que estes esperavam com a privatização era a concorrência na telefonia e a melhoria da qualidade técnica do serviço. Ou seja, comunicação telefônica sem ruídos, nem técnicos e muito menos financeiros.
Mas a forma usada pelo governo para fatiar o mercado da telefonia entre os interessados em absorver o serviço resultou num equívoco imperdoável. Não há concorrência, o que significa que o usuário brasileiro jamais terá, nesta situação, a oferta de preço e de serviços excelentes. E o que se conclui, infelizmente, é que vendida a preço de banana, o sistema de telefonia mantido até a época se não continua do mesmo jeito, piorou. E o assinante de algumas operadoras paga para ser mal atendido.

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