Que o choro vire ouro em Atenas

A boa campanha da delegação brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana, está rendendo homenagens em todo o País. Hoje, em Curitiba, os atletas paranaenses que estiveram no Pan serão recebidos pelo governador Roberto Requião (PMDB) e também serão homenageados na Assembléia Legislativa e na Câmara dos Vereadores. Além das homenagens, os atletas vão debater e sugerir a criação de leis de incentivo ao esporte brasileiro.
É importante que o debate ocorra neste momento de homenagens e reconhecimento pelos bons resultados. O baixo nível técnico no Pan de Santo Domingo acendeu uma luz de alerta no esporte brasileiro. Apesar do recorde de medalhas do Brasil na República Dominicana foram 28 de ouro, 40 de prata e 54 de bronze, 122 no total , nossos atletas estão preocupados com as marcas obtidas na competição.
Se comparados os resultados do Pan de Santo Domingo com os da Olimpíada de Sidney, na Austrália, em 2000, apenas o atirador paranaense Rodrigo Bastos seria medalhista olímpico. Todas os outros medalhistas brasileiros deste Pan não seriam finalistas em Sidney. Suas marcas não passariam de um oitavo ou no máximo um sétimo lugar.
O fundista Hudson de Souza, que ganhou medalha de ouro nos 10 mil metros do atletismo em Santo Domingo foi realista ao analisar sua marca. ''Com essa marca eu não ganharia nada na olimpíada''. Hudson tem razão. Em 1999, o Brasil havia batido o recorde de medalhas no Pan-Americano de Winnipeg, Canadá. Foram 101 medalhas que alvoroçaram a delegação brasileira, que se auto-credenciou entre os favoritos para Sidney. Resultado: o Brasil não subiu ao lugar mais alto do pódio nenhuma vez.
Agora, com os pés no chão e os próprios atletas têm consciência disso o Brasil pode, enfim, virar uma das grandes potências esportivas do mundo. O melhor exemplo de que isso pode virar realidade foi a conquista da ginasta Daiane dos Santos, que obteve domingo o melhor resultado do Brasil na ginástica artística em todos os tempos. A gaúcha de 20 anos ganhou medalha de ouro no solo no Campeonato Mundial de Anaheim, na Califórnia, Estados Unidos, superando as melhores ginastas do mundo, como a romena Catalina Ponor e a espanhola Elena Gómez.
Valem as homenagens, mas o momento é de incentivo e preparação para a Olimpíada de Atenas, em 2004. Para que a decepção e o choro da Austrália virem muitas medalhas de ouro e largos sorrisos na Grécia.

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