Mudança de regras
Exceto as complexidades da macroeconomia, que exigem considerações de especialistas dispostos a explicar à população como, onde e quando os efeitos das decisões políticas atingem as contas domésticas, prejudicando ou melhorando os orçamentos mensais das famílias, o resto é de fácil leitura e assimilação: se o mercado sofre com a estagnação, o setor produtivo abandona os investimentos e os salários são empurrados para baixo, o consumo cai automaticamente e força ainda mais a situação de paradeira. E o que ocorre é a formação da tão temida bola de neve.
Algumas decisões importantes finalmente foram tomadas pela área econômica do governo durante a semana, quando a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao oitavo mês sem que nada ou pouco fosse feito. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de baixar em 2,5% os juros básicos, com certeza e isso está na avaliação de alguns dos melhores especialistas de mercado criou um efeito psicológico positivo no mercado.
É verdade, os efeitos dessa decisão ainda demoram para chegar à população, conforme os mesmos especialistas estimam. Mas até para o consumidor, mesmo que inexpressivamente, alguns resultados já podem ser sentidos. Principalmente para aquele que se viu obrigado a se endividar com o cheque e o crédito especial, e ainda trava batalha diante do caixa eletrônico para tentar sair da dívida. Porque se as instituições financeiras, tanto quanto outros setores da economia, pretendem disputar o mercado à luz das novas regras estabelecidas com a redução da Selic, devem então moldar seus produtos com juros e prazos apropriados para o momento.
São dois pontos importantes a serem considerados nesta questão: quando se fala em novas regras, entenda-se que estas foram automaticamente incorporadas à economia por força de uma mudança de postura do governo em relação à política para o setor. Parece pouco, mas uma equipe que teimava em manter os juros em alta, justificando o risco de inflação, quando promove uma redução na casa dos 2,5%, mesmo no caso do Brasil, promove uma mudança expressiva.
Quanto ao outro ponto, o que se espera é que, a partir de agora, o cidadão endividado possa definir um plano de saneamento de suas contas. Provavelmente, deste momento em diante, ele recorrerá ao cheque e ao crédito especiais para tentar sair da dívida, consertar a situação. Jamais este cidadão cairá no financiamento para pagar compras. Assim, o apelo ao tomador de empréstimo pelas financeiras é tão diferente quanto as características do produto. Se até o governo já entendeu isso, quanto mais o mercado.

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