Ouro para o bem do Brasil
É o esporte, mais uma vez, a desempenhar um papel importante no atual momento brasileiro. A delegação que representa as várias modalidades esportivas nacionais em Santo Domingo, na República Dominicana, supera as expectativas após um início tímido nos Jogos Pan-Americanos e já acumula medalhas em quantidade suficiente para colocar o País em posição de destaque.
Bronze, prata e ouro são conquistados por um bom número de atletas que pouco estímulo teriam para um desempenho exemplar, vestindo a camisa brasileira. Sabe-se que, excluindo as modalidades de elite, em que a iniciativa privada é madrinha e não poupa apoio, na forma de patrocínio ou até mesmo de manutenção plena inclusive de equipes inteiras, muitos dos representantes brasileiros nos Pan-Americanos cresceram sozinhos em suas modalidades.
No máximo, quando em início da carreira, mereceram a dedicação de um professor de Educação Física do colégio onde estudavam. E foi este, com certeza, aquele que descobriu o potencial e começou a lapidar a preciosidade que tinha em mãos. Depois de certa projeção, alguns tiveram a oportunidade de serem vistos por caçadores de talentos esportivos de grandes clubes nacionais, com suporte financeiro que permite o estudo, o alojamento e a alimentação de um atleta.
Ainda assim, é provável que muitas das revelações, apesar da ajuda que receberam, enfrentaram muitas privações até a chegada a uma competição do nível dos Jogos Pan-Americanos. Provável também que, junto de suas famílias, enfrentaram as agruras provocadas pelas finanças domésticas arrochadas, fruto dos desacertos na economia nacional. Provável também que sentiram, por muitos momentos, decepção pela falta de apoio do Estado para com os potenciais da nação.
Mas chegaram a Santo Domingo e mostram do que são capazes. Trazem inclusive as medalhas de ouro, que fazem tanto bem a uma população tão carente de valores dignos de serem contemplados. E numa prova de consciência, permitem que as lágrimas rolem pelo rosto no momento da premiação, quando balbuciam, emocionados, o Hino Nacional. Estendem a bandeira verde e amarela, enobrecendo-a, deixando evidente a milhares de brasileiros que, no pódio, durante a premiação, representam a população grandiosa de um país.
São os atletas do ouro para o bem do Brasil. Não como da outra vez, na década de 60, quando a população brasileira entregou suas jóias para um motivo político que ainda gera controvérsias. Estes são os representantes brasileiros que, em troca das medalhas que trazem para o País, solta o seu grito de alerta: o Brasil precisa de consertos na sua política, na sua economia, na sua cultura, nas suas questões sociais, para que possa valorizar pessoas que, como em Santo Domingo, colocam o nome da País em destaque. O Brasil não pode continuar privilegiando aqueles que fazem a vergonha do País.

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