A reforma de Lula
Analistas afirmam que a área social é a que causa mais descontentamento no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, por isso, é desse ponto que deve ser iniciada a reforma ministerial. Entrariam no time que desagrada Lula a própria correligionária Benedita da Silva, da pasta da Assistência e Promoção Social, Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, Olívio Dutra, das Cidades, José Graziano da Silva, da Segurança Alimentar e Combate à Fome, entre alguns outros.
Na ótica da população brasileira, entretanto, não é bem assim. Os grandes programas lançados até agora pelo governo federal contemplam, paternalísticamente, a área social. Por que paternalístico? Oras, porque mesmo os programas de conteúdo aproveitável, quando colocados em prática são levados a meio-termo, quando muito, e acabam tendo a característica de tantos outros já lançados no País ao longo do história, que de proveitoso pouco ou nada deixaram.
O Fome Zero é um exemplo. Sabe-se que este programa, embora de caráter emergencial, não visa somente matar a fome. Consta em alguns pontos dele o estímulo à iniciativa comunitária, com o devido estruturamento para permitir às famílias carentes a busca da autosustentação. Ou, se não for assim, no mínimo, que elas tenham condições para sobreviver sem depender unicamente do que o Estado repassa.
Evidente, até que se criem situações propícias para a produção coletiva e a consequente renda, sempre será bem-vinda e necessária a ajuda proporcionada pelos R$ 50,00 do Fome Zero, R$ 100,00 da Bolsa Escola municipal e a cesta básica do voluntariado. Mas é preciso avançar, e não será a comunidade, por sua iniciativa, que procurará os caminhos do seu próprio desenvolvimento. A ajuda, sem a devida conscientização, cria vícios. E em termos de ajuda, o Brasil de Lula da Silva, em pouco mais de sete meses de governo, parece ser pródigo. Confira o leitor a lista de programas para a área social já lançados pela equipe do Planalto: Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Bolsa Renda, Fome Zero, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Agente Jovem e Vale Gás.
É razoável incluir nessa relação o Primeiro Emprego, que se por um lado tem o objetivo de estimular no setor empresarial a oportunidade de trabalho para o jovem sem experiência, por outro o faz centrado num pilar assistencial, onde a fábrica ou o comércio somente abrem estas vagas porque ganham algo em troca.
Assim, a conclusão é que aumentar a quantidade de programas sociais não vai resolver o problema do País. A crise é econômica e se ela persiste é porque há uma outra crise, a política, travando todas as demais ações do governo. E deste ponto que deve ser iniciada uma urgente reforma ministerial.

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