O Brasil de hoje
As declarações feitas na sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva servem apenas para subsidiar a população com elementos que permitam uma avaliação justa do Brasil de hoje. Lula fez um balanço da aprovação em primeira discussão, na Câmara dos Deputados, da proposta da reforma de Previdência, incluindo todos os acertos que foram feitos para que os parlamentares permitissem que o texto do governo federal passasse pela Casa. E passou, embora ainda dependa da segunda votação, totalmente remendada.
Em realidade, com as concessões feitas pelo governo, o remendo ficou pior que o rasgado. O subteto dos juízes estaduais, por exemplo, fica mantido nos 90,25% da remuneração de ministro do Supremo. Servidores públicos também sairam ganhando com algumas concessões, embora tenham transformado um protesto em baderna, que se transformou em vandalismo. E, agora, como ficou evidente que a pressão funciona, o Judiciário vai além: quer aposentadoria integral.
Mas para o presidente Lula, segundo as declarações de sexta-feira, o resultado até agora é bom. Tanto que o presidente tratou de elogiar os líderes de bancadas e, por extensão, todos os parlamentares, pelo desempenho que estes tiveram nas negociações e na votação da proposta. E talvez o presidente tenha razão. Se for considerada a hipótese de que o objetivo da reforma era de apenas mexer com alguns segmentos do País, para mostrar que aqui se discute alguma coisa, então o resultado foi realmente bom. Oras, criou-se até polêmica. E o Distrito Federal foi palco de manifestações. Era para fazer barulho? Fez e muito. Quanto aos objetivos da reforma da Previdência, nem é preciso aprofundar análise para perceber que o rombo tende a ficar mais largo e profundo, a partir da vigência do que for finalmente aprovado em segunda discussão pela Câmara e, em seguida, pelo Senado,
O ideal seria, neste Dia dos Pais, que este espaço possibilitasse uma leitura esperançosa. O quadro que se apresenta, porém, não permite que se trabalhe com os olhos fechados. Um antigo cronista esportivo, na narração de partidas de futebol, costumava dizer que não adianta tapar o sol com a peneira, fazendo referência à fragilidade de uma ou outra equipe. Boas notícias não há no mundo da política e da economia brasileiras. Esta semana, um levantamento da poupança mostrou que a captação está caindo e os saques aumentam gradativamente.
Ontem se noticiou que o Banco Central reduziu a alíquota dos compulsórios incidentes sobre os depósitos feitos à vista, de 60% para 45%. A princípio, espera-se que a medida proporcione juros mais baixos do cheque especial e outros créditos. Mas quem ganha mesmo é o sistema bancário, que pode aumentar o seu lucro em pelo menos 3%. Bem entendido, portanto. O Brasil de hoje é o do toma lá, dá cá.

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