OPINIÃO DA FOLHA
A quem interessa a economia brasileira
Deve haver uma explicação para o fato de boatos em torno da saída de Antonio Palocci Filho do Ministério da Fazenda criar nervosismo nos operadores norte-americanos. Desmentido por Brasília, o falatório chegou a virar mesas em análises feitas em Nova York no final da manhã, como também repercutiu no outro lado dos Estados Unidos, na Califórnia, sede dos principais administradores de fundos de investimento.
Transparente, embora pouco difundido, é que o atual time da economia brasileira agrada os investidores internacionais. A começar por Palocci Filho, com redobrado reforço do presidente do Banco Central. Deve ser considerado que o ministro da Fazenda era então desconhecido no meio econômico. Quando muito, durante a segunda parte da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Palocci conquistou relativa projeção como o homem que coordenava politicamente a candidatura de Lula, após a morte do titular.
Já após a posse, como se recomendado pelo mercado exterior, o coordenador eleitoral ascendeu ao posto de ministro da Fazenda. E, sem dúvida, para o Banco Central, a nomeação de Henrique Meirelles soou para os estrangeiros como a melodia que eles esperavam que o novo governo executasse. Tudo certo além fronteiras, portanto.
Tanto que a economia brasileira, sete meses após a posse, ainda está órfã de uma política. Ela é tocada, aos remendos, de forma a se adequar às necessidades que não são dos brasileiros. Como antes, leva-se a situação de acordo com o mercado externo. Claro, não poderia ser diferente, até porque as coisas desse mundo macro, no momento em que o discurso da globalização é predominante, estão interligadas. Não é, portanto, nem questão de dependência externa somente, isso até para dispensar, neste momento, qualquer discussão sobre a submissão que o País assume diante da gigantesca dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas, independente de qualquer submissão ou interligação, qualquer país trabalha as possibilidades de seu desenvolvimento com políticas que estimulem investimentos internos.
Como não ocorre isso, então a boataria sobre uma saída do ministro Palocci repercute mais fora que dentro do País. Pois perceba o leitor, não houve manifestação do empresariado nacional. Nem vivas e nem o contrário. Se o boato existiu, infelizmente confirmou um quadro interno muito mais preocupante que o governo imagina: a saída de Palocci é ruim para os norte-americanos. Já para os brasileiros, tanto faz ele ou qualquer outro. Pior ainda: se o Brasil tomou conhecimento do falatório e se calou, é porque quer mudanças. Talvez aquelas mesmas prometidas durante as eleições e que até agora não aconteceram. E que podem começar a ser feitas com reformas ministeriais.





