Em busca de um culpado
Números atualizados sobre as mortes por falta de vagas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) no Paraná mostram um quadro pior do que se imaginava. Reportagem publicada domingo por este jornal trouxe a situação do Estado, com o registro de óbitos em 2003, mas excluiu o levantamento referente à área de abrangência da 17 Regional de Saúde, em Londrina, que ainda não dispunha de um balanço.
Eram, portanto, pelo menos 120 mortes por falta de UTIs no Paraná. A 17 Regional de Saúde só dispunha até o fechamento da reportagem do levantamento de julho de 2003: 22 mortes na fila de espera por leitos de tratamento intensivo. Mas ontem, os dados referentes a todo o ano de 2003, incluindo morte ocorrida recentemente, finalmente veio a público. Só na região de Londrina, são 64 mortes por falta de UTIs, o que na contagem estadual resulta em cerca de 170 óbitos.
Não se trata, portanto, de um fato superdimensionado pelos veículos de comunicação, como preferem discursar algumas autoridades. É uma realidade, que já causava preocupação mesmo com o balanço incompleto, ultrapassando a casa das 100 ocorrências em sete meses. No mínimo, o resultado atualizado exige uma força-tarefa, termo que está em moda ultimamente, visando uma solução urgente.
Algumas medidas emergenciais têm sido tomadas e são louváveis, entre elas a do Ministério Público, em Ponta Grossa, que tomou a dianteira e assumiu uma causa importante. Ontem, em Londrina, também o Ministério Público iniciou contatos com os setores ligados à questão.
Mas é importante que, junto a estas ações emergenciais, soluções no mínimo duradouras sejam adotadas. Trava-se incansável debate sobre a reforma tributária, assunto no qual um grupo de prefeitos, endossado por um parlamentar petista do estado de Minas Gerais, trouxe a público a proposta de partilha da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) também entre os municípios.
Justo seria esse pedido se o grupo de prefeitos e o parlamentar petista reivindicassem a partilha para aplicar os recursos provenientes na área da saúde. Não só pelo fato da CPMF ter sido criada para financiar a saúde pública, mas principalmente porque se saberia que o dinheiro, ao contrário de bancar a manutenção da máquina administrativa, teria finalidade nobre.
Infelizmente, não foi este o propósito. Então, seja ou não atendida a reivindicação de partilha, o que sobra para o contribuinte, de desanimador, é saber que os problemas, inclusive graves com ocorrência de mortes, são imputados aos meios de comunicação. E as soluções, estas sempre na forma de aumento da arrecadação tributária, com mais ônus para o contribuinte, vão louvar autoridades nas próximas campanhas eleitorais.

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