OPINIÃO DA FOLHA
Um rumo para o País
Primeiro foram os quadrilheiros, na cidade do Rio de Janeiro, a levantar as armas e reivindicar o posto de poder paralelo, o que foi indiretamente concedido pela inabilidade do governo para tratar do assunto e também pelo sensacionalismo de alguns setores da imprensa, que no tratamento dado ao tema endossaram a condição pleiteada.
Se assim agiram os comandantes do narcotráfico, que há anos já impunham a lei do terror e do silêncio e passaram a determinar inclusive o fechamento do comércio e a paralisação das aulas, é porque brechas encontraram para isso. A demonstração de poder, num momento de crise política e administrativa, é bem o recado para que as eventuais propostas de combate à criminalidade sejam devidamente acamadas e não ultrapassem os limites dos gabinetes, até pela possibilidade de troca do comando político nos estados e em Brasília e principalmente pelo fato do narcotráfico ter na sua cúpula não só bandidos de carteirinha, mas também os camuflados, alguns vestidos de representantes do povo. Isso é fato, não se trata de acusação mesquinha, os tribunais, as CPIs, os ministérios públicos investigam muitos deles, conforme se tem noticiado.
Agora, pela mesma razão, outros segmentos empunham suas armas. As declarações da principal liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a semana configuram a intenção de um levante. Infelizmente, tal situação não está apenas na teoria do movimento. basta analisar a situação do Paraná, onde este jornal tem publicado diariamente a formação de novos grupos de famílias prontas para as ocupações de áreas e aguardando apenas o sinal verde para agir. Por outro lado, também são noticiadas as posições dos proprietários de grandes áreas rurais e algumas delas tendem para o confronto direto, pelo uso das armas. Não se descarta, portanto, o risco de uma guerra civil.
É prudente que o leitor não faça uma relação ideológica entre a postura dos narcotraficantes e do movimento dos sem-terra. Este jornal pretende que fique claro: os primeiros são bandidos; os segundos, se não agem sempre com o bom senso, teriam, pelo menos, uma causa que do ponto de vista de suas lideranças é justa. Mas também o MST se aproveita da fragilidade do governo para fazer a sua demonstração de força. Assim como o fazem os servidores públicos e o pessoal do Judiciário, pois sabem que, quando a autoridade tem as mãos livres mas não sabe o que fazer, é melhor atá-las, de forma que faça apenas para os setores que têm poder de pressão.
Então, se ainda resta possibilidade de consertar a situação, esta terá que ser uma iniciativa da sociedade civil. Não se deve permitir que somente alguns segmentos aproveitem as brechas e se façam atendidas nas suas reivindicações. O empresariado é forte e neste meio há cabeças pensantes. A intelectualidade dispõe de grandes gênios espalhados pelas universidades públicas e privadas. No seio das organizações populares, existem grandes líderes, com propostas que podem ser viabilizadas de maneira sensata. Portanto, não há necessidade de uma guerra. Apenas predomina a urgência de ajudar o governo, pois este, em sete meses, demonstra inabilidade para procurar um rumo que leve o País à estabilidade política, econômica e social.





