OPINIÃO DA FOLHA
O mesmo que isolamento
Catracas não coibem violência, tem plena razão a diretoria da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules). No máximo, as catracas controlarão a entrada e a saída de alunos, professores, funcionários e quem quer que seja que frequentemente visite um estabelecimento escolar por motivo profissional ou acadêmico. Evidente, controlando o fluxo de pessoas que entram e saem, promove-se também uma prevenção, não o suficiente para resolver o problema da violência. É para isso que as catracas foram instaladas em algumas escolas privadas, até porque estas dispõem de recursos financeiros. Porém, ao que se sabe, catracas em estabelecimentos privados de ensino são ferramentas mais para auxiliar o controle disciplinar interno, inclusive a frequência dos matriculados, de acordo com a correta ótica de que os pais que pagam as mensalidades de seus filhos têm direito, no mínimo, de serem devidamente informados se estes estão assistindo corretamente às aulas.
Que não fosse somente isso. Que tenham realmente as catracas função de afastar dos pátios e das salas de aula os maus elementos. Qual seria a possibilidade da violência espreitar indefesos estudantes e mestres do alto dos muros da frente, dos fundos e dos lados do colégio? Recentemente, criou polêmica a proposta de revistar as bolsas escolares nas entradas dos estabelecimentos de ensino. E se o objeto da inspeção é o aluno, pois somente este traz consigo uma bolsa escolar, então não será a catraca uma eventual culpada se, no futuro, alguém passar pela portaria da escola transportando uma faca dentro da mochila. E se este alguém, seja aluno ou algum visitante, promover a violência no pátio ou na sala de aula com a sua arma, terá a catraca, a um custo de instalação considerável para o Estado e elevado para o estudante eis que cada cartão para girá-lo custará ao estudante R$ 7,00 perdido a sua finalidade.
Nem é esta a questão central, entretanto. Haverá, com certeza, entre milhares de estudantes alguns penalizados pela situação em que vivem e, portanto, de assimilação equivocada sobre o papel da escola. Levados por uma condição de vida, transportarão, com mochilas revistadas ou catracas, suas violências para os pátios e as salas de aula. Mas estes não formam a maioria. E também existirão não somente nas escolas públicas, mas também nas privadas e em outros ambientes onde normalmente não se admitiriam as suas presenças. Não há um sensor capaz de detectar se este é bandido e aquele é mocinho.
A questão é que a violência existe e deve ser enfrentada. E de dentro da escola, cercada com muros altos e catracas, o estudante se preocupará com o horário da saída, pois poderá se deparar com a violência a poucos centímetros da calçada que separa o seu estabelecimento de ensino da rua. O mundo existe e não está somente do lado de dentro da escola.





