OPINIÃO DA FOLHA
Puxão de orelhas na vítima
A quem cabe o puxão de orelhas quando se toma conhecimento de pessoas vítimas do chamado conto do bilhete premiado? Notícias sobre este tipo de contravenção são frequentes nos veículos de comunicação, incluindo rádio e tevê, meios acessíveis a um público diversificado. Ocorre que, de tão antigo e difundido, o golpe do bilhete premiado dispensaria, a princípio, uma cartilha para orientar potenciais vítimas. Mas ao que parece, um manual preventivo é necessário. Ou seria o caso de puxões de orelhas nas vítimas, junto com a ação policial rigorosa para prender e punir os contraventores?
Reportagem publicada ontem no caderno Folha Cidade mostra bem a leitura que se tem sobre esta situação: ''Tão difícil quanto ganhar na loteria é alguém ganhar o prêmio e tentar negociá-lo com um desconhecido na rua. Mesmo assim, o chamado golpe do bilhete premiado'' continua fazendo vítimas. O texto trata de informações obtidas pela polícia de Londrina, sobre a ação de duas mulheres, nas imediações do Jardim Ipiranga, na área central da cidade. E pelo que o delegado responsável pela investigação já tem sobre o caso, a dupla, só nos últimos dias, teria faturado R$ 20 mil.
A vítima seria uma mulher divorciada, de 55 anos. Ela teria sido abordada na confluência das ruas Borba Gato com a Paes Leme. Boa fisionomista, a vítima reconheceu uma das golpistas no fichário da polícia. Dias depois, uma advogada teria sido abordada pela mesma golpista. Mas, desta vez, a possível vítima não caiu na conversa. Segundo o relato da advogada, a golpista, que se vestia com roupas simples e falava da mesma forma humildemente, se apresentou como Maria José da Luz e disse procurar uma casa lotérica, pois havia sido premiada com R$ 10 mil, mas não tinha documentos pessoais para trocar o bilhete pelo dinheiro.
O procedimento, como confere o leitor, é o mesmo de há anos: a pessoa simples que não tem documentos pessoais e não pode trocar o bilhete premiado nas agências da Caixa Econômica Federal. Veja que a própria história narrada pela golpista dá margem a suspeitas, pois, com certeza, a instituição bancária solucionará o problema ou orientará o sortudo sobre os encaminhamentos exigidos para retirar o prêmio.
Reforça-se ainda mais a possibilidade de trapaça quando surge outra pessoa, esta bem vestida, dispondo-se a ajudar a dona do bilhete. No caso da advogada, que desconfiou da história, a segunda golpista se dispôs a telefonar para o banco, onde teria sido informada que o prêmio havia crescido. Assim, a possível vítima poderia ajudar a falsa premiada, desde que deixando em garantia certo valor.
Repete-se. A história é tão antiga que dispensa realmente cartilha. Além disso, a reportagem da Folha orienta que o portador de um bilhete premiado deve-se dirigir somente a um gerente da Caixa Econômica. Claro, prêmios de valores elevados exigem documentos, mas cabe à instituição financeira orientar o premiado sobre como obtê-los em tempo hábil.
Assim, em muitos casos quem merece o puxão de orelhas são as vítimas, até por restar certa impressão de oportunismo barato ao tentar ganhar mais em cima da ignorância de alguém. Ou seria o contrário?





