OPINIÃO DA FOLHA
Em busca da taxa de equilíbrio
Eis uma explicação lógica, mas fundamentalmente necessária: taxa de equilíbrio de longo prazo seria aquela que, em teoria, não provoca inflação nem deflação. A primeira é a mais forte das possibilidades, se é que não se está passando por ela, de forma camuflada, uma vez que os efeitos das constantes altas tornam a renda do trabalhador cada vez mais achatada diante dos compromissos financeiros já assumidos e as compras necessárias para a sobrevivência. E quando se fala em compromissos assumidos, entram o aluguel ou o financiamento da casa própria, a tarifa do telefone, a energia elétrica, o gás, a água e o esgoto, o Imposto Predial e Territorial Urbano, que vale para locatário e financiado, e eventualmente alguma compra feita a prazo. Nada de empréstimos extras, a não ser que o cidadão tenha sido obrigado a recorrer a um crédito pessoal para cobrir defasagens provocadas pela situação. Quanto à deflação, longe, muito longe desta situação atormentar o brasileiro.
Bem, as notícias veiculadas desde o final de semana cogitam sobre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quarta-feira. Fala-se em redução agressiva da taxa Selic, que na reunião anterior caiu de 26,5% para 26%. De quanto seria a redução? Pelo que se estima, a agressão é mais um mote, pois a expectativa é de queda de dois pontos porcentuais. De acordo com o complexo mundo da economia brasileira, a taxa real, atualmente, está em 17,58%, enquanto a taxa de equilíbrio, segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, seria de 9%. A matemática é simples: caindo a taxa Selic para 24%, a taxa real também sofrerá redução de cerca de dois pontos porcentuais, baixando para 15,71%. Longe, portanto, dos 9% estimados por Meirelles.
Qual seria o risco para a economia brasileira se o Comitê de Política Monetária do Banco Central trabalhar com uma redução superior a dois pontos? Haveria, de fato, algum risco? As explicações seriam da possibilidade de inflação, mas nem estas chegam a convencer na atual circunstância. Haveria demanda interna para a ocorrência de uma inflação? Uma corrida, talvez, aos financiamentos para compras por parte do consumidor mais afoito, que espera há meses pela chance de comprar o que precisa? Os sintomas vão para o lado contrário. O que se verifica é o crescimento da inadimplência e dos cheques sem fundo. Pode até haver encorajamento de alguns quanto ao recurso do empréstimo pessoal. Mas acreditem os economistas, estes não tomarão dinheiro emprestado para comprar. Pelo menos a maioria estará contraindo mais uma dívida para cobrir o cheque especial.
Então, com certeza, Meirelles e sua equipe, junto com o braço direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, devem explicações à Nação. E junto com as explicações, claro, medidas que fortaleçam a base da economia nacional, de forma que esta não fique tão suscetível a pequenas e necessárias mudanças.





