Hora da guinada

A semana começa com mais um fato que exige séria atenção do governo federal. De acordo com um estudo da Comissão Econômica das Nações Unidas (ONU) para a América Latina e o Caribe (Cepal), desenvolvido em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o programa Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, o Brasil está entre os 11 países da América Latina que não conseguirão reduzir a pobreza extrema pela metade até o ano de 2015. É conveniente lembrar que esta meta foi fixada pela própria Organização das Nações Unidas.
O estudo indica que dos 18 países da América Latina e do Caribe, apenas sete alcançarão a meta se as condições de crescimento e distribuição de renda verificadas na década passada forem mantidas. São eles o Chile, a Colômbia, Honduras, Panamá, República Dominicana, Uruguai e Argentina, este último que mal saiu do turbilhão de uma crise política e econômica de efeitos nefastos para a instituição governamental e toda a sua população. No outro extremo, Bolívia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela poderão sofrer aumento nos níveis de pobreza, caso sejam mantidas as condições dos anos 90. Já o Brasil reparte com Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México e Nicarágua o grupo do meio. Estes países têm condições de reduzir a pobreza extrema, mas em ritmo muito lento.
A classificação brasileira não é nada confortável para o governo brasileiro. Porém, deve ser assumida, pois outros estudos, com objetivos diferentes, levam à conclusão parecida com a de agora. Ocorre que o País vem de um longo período de estagnação, com os pontuais ciclos de crescimento econômico travados frequentemente pelos solavancos causados por fatores externos e internos. E quando as condições que se apresentam são estas, significa claramente inexistência de uma política econômica forte, consistente, e capaz de aguentar os baques de algum tipo de efeito. Falta, portanto, vigor nas medidas governamentais para tocar uma economia que se sustente. Claro, oscilações são previsíveis, mas não ao ponto do abate total.
Paralelamente à ausência de projetos governamentais para o segmento que ancora o País, o que ocorreu nos últimos anos e se repete agora é a política do assistencialismo. Nestes primeiros meses do atual governo, a maioria dos programas lançados ou anunciados tem este caráter. As únicas propostas que apontam para um deslanche esbarram em discussões partidárias e, em alguns momentos, interesseiros, entre elas a da reforma da Previdência e a reforma tributária. Assim, infelizmente, o Brasil terá que amargar uma classificação negativa perante os outros países da América Latina e do Caribe, para não dizer do mundo.

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