OPINIÃO DA FOLHA
Fim do tempo de espera
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um grupo de ministros discutem em Brasília medidas que estimulem o desenvolvimento do País no curto prazo e que gerem efeitos ainda em 2003. Finalmente. E foi ontem, conforme noticiado por este jornal, provavelmente a primeira das reuniões com o objetivo de aquecer o que está muito frio e que deveria, no mínimo, se encontrar morno na atualidade: a economia nacional.
No entanto, embora tarde, a notícia serve para esquentar o ânimo de milhões de brasileiros que esperam, desde janeiro, por mudanças que só uma troca de governo poderiam provocar. Concedido o período de acertos à nova gestão, após o período de transição e em seguida a posse, e ainda descontando o carnaval, data corriqueiramente considerada como divisória entre o ano produtivamente comercial e as semanas que o antecedem, o calendário de 2003 já marca julho, em sua segunda quinzena.
O período de seis meses seria razoavelmente adequado para o fechamento de um plano A. Mas pelo que se anuncia, só agora começam a ser discutidos os remendos. Planos para aquecer a economia e promover o desenvolvimento seriam prioridades, qualquer que fosse o sucessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, este que ontem mereceu espaços razoáveis nas páginas dos grandes jornais com afirmações, no mínimo, irônicas. O ex-presidente estaria sentindo falta da piscina do Palácio da Alvorada e dos vôos de helicóptero. Se não for ironia, este tipo de posicionamento retrataria certa despreocupação dos governantes, seja este ou aquele, com a situação de seus governados. Em oito anos de governo, o desenvolvimento ocorreu apenas no discurso, pois na prática a retração da economia têm seus efeitos até hoje no cotidiano da sociedade brasileira.
Seria, portanto, de se esperar que o grande projeto do sucessor fosse anunciado em tempo recorde. Até pelo fato da situação anterior, inclusive com análises profundas sobre suas causas, serem de conhecimento dos técnicos da área econômica do atual governo. Poderia ser o contrário mas, até por culpa da demora de decisões, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva começa a sofrer a mais incisiva das pressões: a queda de prestígio do presidente nas pesquisas de popularidade.
O tempo de espera chegou ao fim. A proposta de mudança que levou Lula e sua equipe de governo ao poder estava escorada na urgência, mesmo considerando a substanciosa dose de paciência que o cidadão brasileiro reserva inclusive para as questões emergenciais. Há como recuperar o tempo perdido, desde que decisões acertadas sejam tomadas. A considerar pela demora, o que se deve ter, no mínimo, é acertos.





