Estímulo para avançar

Relatório que a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou ontem, cujo teor este jornal mostra em reportagem publicada na edição de hoje deste Primeiro Caderno, atesta que o Brasil foi o país que mais subiu no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) desde que o organismo internacional criou o referido sistema de avaliação, em 1975. O documento mostra que naquele primeiro ano, o Brasil recebeu índice de 0,643, o equivalente hoje ao padrão de desenvolvimento de países como a Nicarágua, e pouco melhor que o de países africanos pobres, como Botsuana e Namíbia. O avanço brasileiro seria de 16 postos, com o País ocupando hoje a 65 posição no relatório da ONU.
Estes são números de difícil compreensão para a maioria dos brasileiros. E pode-se, inclusive, saber que a longevidade e a educação foram dois itens fundamentais para o crescimento brasileiro no ranking do desenvolvimento humano. Ou seja, vive-se mais e há melhores condições de estudo para a população, apesar da evasão escolar e do analfabetismo serem fantasmas permanentes a rondar pelos nossos céus. Até porque a pesquisa que gerou o relatório considera a taxa de matrícula, que no ensino fundamental saltou de 86% para 97% entre 1990 e 2001. No mesmo período, a alfabetização de adultos subiu de 82% para 87,3%.
Mas a parte que mais interessa, e isso a própria ONU enfatiza em seu estudo, é o da distribuição de renda. Um barril de pólvora prestes a causar uma comoção social, visto que os movimentos populares, estimulados pelo segmento dos sem-terra, começam a levantar acampamento para agir, diante da paradeira desenvolvimentista que cerca o País. De acordo com a ONU, o aumento médio anual do rendimento per capita no Brasil foi de apenas 0,8% entre 1975 e 2001, enquanto o porcentual mundial é de 1,2%. Nos países em desenvolvimento, a média é de 2,3%. O mesmo organismo internacional já divulgou, em relatórios anteriores, um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostra de forma clara uma grande distorção nacional: 10% da população brasileira tem renda 70 vezes maior que os 10% mais pobres da sociedade.
Para tentar sair deste quadro o Brasil precisa, antes de tudo, do empenho político dos governantes. Não basta apenas boa intenção e imaginar que as soluções virão somente após resolvidas as questões emergenciais é deixar o tempo passar, mais uma vez. Junto às urgências, devem acontecer o cumprimento das prioridades, que são muitas. O Brasil e sua população precisam avançar e só o governo, com políticas firmes e definidas para as diferentes áreas, permitirá que se saia da imobilidade.

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