OPINIÃO DA FOLHA
Que venha a concorrência
A necessária, mas cara e insuportável telefônia celular brasileira pode entrar esta semana no mundo do mercado, com as novas regras estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Desde ontem, o usuário deste serviço tem como fazer ligações escolhendo uma operadora que lhe ofereça preço de concorrência, como já acontece na telefonia fixa. Como a mudança começou a vigorar no domingo, os efeitos ainda não são sentidos. No entanto, espera-se que comecem a ser percebidos já a partir desta segunda-feira.
Acontece que a telefonia móvel celular deixou de ser artigo de luxo, como se verifica nos primeiros anos após a implantação do serviço. A novidade era cara, embora fosse possível comprar aparelhos em longas e suaves prestações mensais, descontadas na fatura da conta telefônica. E a atraente novidade virou uma espécie de símbolo de estatus. Não ousava, um autônomo que trabalha no comércio ambulante ter um daqueles aparelhos, com receio da tarifa absorver todo o seu lucro. O mesmo acontecia com o encanador, o eletricista, a manicure que atende na casa do cliente, entre tantos outros profissionais que por não disporem de local fixo de trabalho teriam que se valer do celular para serem localizados por aqueles que necessitam de seus serviços.
Era mais comum casais de namorados falando ao celular em shoppings de alto padrão, e mulheres da alta sociedade atrapalhando concertos musicais com a campainha dos celulares. O preço caro do serviço desvirtuou a função do sistema. E o excelente instrumento para concretização de negócios ganhou característica de brinquedo.
Claro, não basta apenas a concorrência para tornar a telefonia móvel celular mais em conta no Brasil. Basta lembrar que, quando o governo federal anunciou a privatização da telefonia nacional, a promessa era de um avanço no setor, com o consequentemente barateamento do serviço, a partir da entrada no serviço da iniciativa privada. Não foi o que aconteceu. Em algumas regiões, o serviço tornou-se mais precário e os preços, em todo o País, em nenhum momento recuaram. Ao contrário, sobem tanto quanto nos outros tempos, de antes da privatização.
Agora, as novas regras da Anatel para o serviço móvel celular despontam como fagulhas. O loteamento das operadoras por região é capaz de dificultar a concorrência sadia. Mas, considerando que o usuário de Londrina, por exemplo, tem como escolher opções de fora da localidade onde mora para fazer chamadas interurbanas e internacionais, presume-se que a operadora local não dará chances para os concorrentes passarem as mãos em seus clientes potenciais. E isso se faz oferecendo um serviço de qualidade e bom preço. O usuário aguarda por novidades.





