OPINIÃO DA FOLHA
Resposta para a população
Basta um leve empurrão para que cada integrante da sociedade assuma o seu papel de cidadão e possa, assim, contribuir com as autoridades constituídas em questões fundamentais para o bem-estar coletivo. Há duas semanas, a Polícia Militar implantou em Londrina e nas demais localidades que têm o prefixo de telefone 43 o serviço denominado Narcodenúncia, pelo número 161. O primeiro levantamento divulgado pela corporação, neste início de semana, é no mínimo animador.
Segundo o Serviço Reservado da Polícia Militar em Londrina, grupo organizado dentro da PM e conhecido como P2, já é possível identificar um aumento no número das ligações: foram cerca de 150 telefonemas nesse espaço de tempo, dos quais um terço sobre o tráfico de drogas não somente em Londrina, mas nos demais municípios da área de abrangência. Os restantes dois terços, conforme o Serviço Reservado, foram sobre outros crimes, como roubos e agressões.
Pode parecer pouco, pois só Londrina concentra quase 500 mil habitantes. Mas é o bastante, se for levado em conta que, na falta deste serviço de disque-denúncia, a maioria dos cidadãos prefere ficar calada mesmo diante de flagrante contravenção. Nenhum vizinho ousaria denunciar outro morador de bairro, comparecendo a uma delgacia de polícia ou a um módulo de policiais, para dizer que fulano é traficante e usa a sua casa como ponto de venda de drogas. Por mais que o sigilo e o anonimato sejam garantidos, os cidadãos, infelizmente, sentem-se inseguros em apresentar uma denúncia pessoalmente. Não que a polícia deixe de preservar a identidade dos denunciantes. Mas na entrada de um plantão policial pode estar, no justo momento da denúncia, alguém indesejável. E nem a polícia, não como instituição, mas devido a alguns de seus funcionários, por uma questão de cultura e, principalmente, de precedentes escapa de ser indesejável em determinadas situações.
O telefone, se não fosse o grampo, seria a forma segura do cidadão brigar por sua segurança. E por acreditar que manipulações de linhas telefônicas ainda estão restritas aos casos políticos e empresariais neste último caso a espionagem industrial então é possível esperar que, no anonimato, o tráfico, o roubo e outras formas de contravenções cheguem à polícia.
É necessário destacar que a criação do serviço de Narcodenúncia é apenas o primeiro e pequeno passo na busca de soluções para o problema das drogas. A polícia terá o seu trabalho facilitado, mas essa mesma polícia terá que ter estrutura de recursos humanos, equipamentos e mobilização capaz de atender a uma demanda que deverá ser crescente. E organizar a polícia, de forma que ela tenha condições de agir, é papel do Estado. Caso apenas as denúncias sejam feitas, mas os resultados das contribuições anônimas não impliquem em ações eficazes das autoridades policiais, em pouco tempo mais um serviço, que se mostra importante, cairá no desprezo.





