Do primeiro ao último emprego
Estimular o primeiro emprego é, antes de tudo, uma medida política necessária. Compreensível, portanto, a destinação de recursos públicos para as empresas que destinem vagas a iniciantes, pois o mercado de trabalho tem sido demasiadamente cruel com os jovens que saem em busca de uma ocupação remunerada, inclusive os portadores de diplomas de cursos técnicos ou superiores. É comum estes jovens se depararem, antes mesmo de terem acesso ao formulário de requisição de emprego, com o desanimador aviso no local onde estão relacionados os requisitos necessários para o candidato disputar a vaga ofertada: ''Experiência mínima de 2 anos''.
A relação é bastante clara: se todos os que pleiteiam mão-de-obra exigem trabalhadores com experiência, consequentemente não haverá gente nova em condição de se candidatar a vaga alguma. E a massa de trabalhadores disponível ficará restrita. Somente terá emprego aquele jovem que, por uma circunstância ou outra, teve a oportunidade de experiência. A questão é que nem sempre essa possibilidade surge por mérito próprio, fruto, por exemplo, de um bom conceito na escola onde se formou, o que poderia resultar em indicações para vagas afins. Em Londrina, alunos conceituados que se formam em escolas técnicas como o Ipolon costumam ser disputados por empresas da área de eletrônica e eletrotécnica. Este é apenas um exemplo, mas outros casos parecidos devem ocorrer em áreas das mais variadas.
Há, no entanto, variáveis consideradas pouco produtivas. O jeitinho brasileiro é uma delas e consegue, apesar de algumas mudanças ocorridas na cultura brasileira, até empregos em repartições públicas para alguns poucos privilegiados. Estes, experientes ou não, são colocados no mercado de trabalho e mesmo que não continuem como servidores após a troca da administração pública, poderão incluir em seus currículos a experiência exigida pelo setor privado, mesmo que no período de apadrinhamento pouco ou nada tenham trabalhado. Pode parecer coisa de terceiro mundo, mas situações como estas são frequentes neste País.
Mas o estímulo ao primeiro emprego não é a solução brasileira para o desemprego. E não só pelo caráter assistencialista do programa do governo federal. Isto é o de menos, pois a questão central é que há um contingente enorme de desempregados procurando o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto ou quinto emprego. E se as oportunidades de trabalho forem fatiadas pelo governo, com incentivos ao empregador, em pouco tempo faltará candidatos ao primeiro emprego e sobrarão desempregados já com experiências profissionais.
Assim, a solução para um problema agravará outros problemas. Junto com o primeiro emprego, o Brasil precisa de uma política econômica que estimule a produção e gere consequentemente empregos.

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