OPINIÃO DA FOLHA
Pedágio, uma história
Uma intervenção cancelada cerca de 12 horas após anunciada, encampação aprovada pela Assembléia Legislativa conforme o governo do Estado desejava e, por último, o anúncio de que as porteiras da negociação permanecem abertas. Tudo no curto espaço de tempo de menos de uma semana, em meio à uma manifestação liderada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que, no mínimo, deixou no ar uma curiosidade. O que estaria um movimento de agricultores fazendo nas praças de pedágio do Paraná, quando outro evento importante, o Grito da Terra, também acontecia no Estado e, em praticamente todo o Brasil, notícias de invasões de áreas pipocavam?
O anúncio da intervenção na quinta-feira, por força de um decreto, se por um lado foi considerado medida extrema e exagerada, por outro trouxe a possibilidade de respiro diante de uma situação que prenunciava agravamento. Aliás, teria sido o grito de basta para a circunstância e, principalmente, a própria existência do pedágio, caso acontecesse sem as arestas de indagações que circundaram o fato.
No momento do anúncio da intervenção, algumas praças de pedágio no Paraná estavam tomadas por integrantes do movimento dos sem-terra já pelo segundo dia consecutivo. Os manifestantes, que no primeiro dia desalojaram os funcionários das empresas concessionárias do sistema, para liberar a passagem de veículos, no segundo haviam decidido que os usuários também deveriam sofrer as consequências. Assim, interditaram as cancelas do pedágio, interrompendo o fluxo de veículos. E se assim continuasse, a desordem, fatalmente, iria se instalar diante da situação de revolta que já dominava os viajantes.
E, claro, pouco tempo depois de anunciada a intervenção, os veículos começaram a ser liberados e as praças abandonadas pelos integrantes do movimento dos sem-terra. Na tarde do mesmo dia, os deputados estaduais paranaenses aprovaram as mensagens do governo autorizando o Estado a encampar o sistema. À noite, após reunião de parte do secretariado no Palácio Iguaçu, foi feito o anúncio do cancelamento da intervenção. Tudo isso na quarta-feira. No dia seguinte, aos veículos de comunicação o governo anunciou que a já aprovada encampação ocorreria, caso fechada a possibilidade de negociação com as seis concessionárias do pedágio no Paraná.
Uma semana para ficar na história. Evidente, o ideal seria que houvesse bom- senso de todas as partes envolvidas. E que, sobretudo, uma certa entidade, criada em período eleitoral para representar os usuários do sistema, aparecesse. Até agora, a impressão que se tem é que ela deixou de existir.





