OPINIÃO DA FOLHA
Intervenção cancelada
Ao decretar ontem a intervenção do pedágio no Paraná, no momento em que os protestos nas praças de cobrança da tarifa levavam a um quadro preocupante, com prejuízos expressivos para o Estado, o governador Roberto Requião havia adotado uma postura política importante. É conveniente que fique claro, este espaço não analisa agora se a intervenção seria uma medida acertada ou equivocada. O objeto da avaliação é a tomada de atitude que foi cancelada cerca de 12 horas depois, por voltas das 22 horas de ontem , o que só acontece quando há vontade política, algo que está se tornando raro na história deste País.
O anúncio feito pelo governador havia surpreendido até os deputados paranaenses, conforme reportagem publicada na edição de hoje, nas páginas de política. E não era para menos. Algumas decisões exigem rapidez e, na questão do pedágio, o risco de agravamento da situação parecia inevitável. Liderados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), integrantes desse grupo, com menor participação de segmentos dos caminhoneiros e do sindicalismo paranaense, levavam as manifestações a extremos perigosos.
Se até terça-feira a mobilização se resumia à tomada das praças de pedágio e a liberação da tarifa para os viajantes, ontem os usuários passaram a sofrer as consequências. Foram impedidos no período da manhã de passar pelos pedágios, de maneira a engrossar as filas de veículos que se formaram. A Folha, por exemplo, não chegou ontem a algumas regiões do Estado, principalmente no Sudoeste, onde o jornal é levado por caminhões que passam por postos de pedágio. Fretes perecíveis também sofreram atrasos, com riscos de perdas de mercadorias.
Até por estes fatos torna-se evidente que atitudes políticas são necessárias em determinados circunstâncias. E nem havia ainda a população paranaense tomado conhecimento de todos os fatos que cercam a polêmica do pedágio, quando o cancelamento do decreto de intervenção foi anunciado à noite pela assessoria do Palácio Iguaçu.
Então, se em um momento determinada atitude foi importante, horas depois outra decisão deixou a população de boca aberta. Justificativas apresentadas no anúncio de cancelamento do decreto de intervenção foram de que a situação nas praças de pedágio estavam tranquilas, após dois dias de ocupação por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e alguns sindicalistas e caminhoneiros. Espera-se, portanto, que com esta nova decisão a questão não se torne componente de mais um interminável briga judicial, em que a população espera e nada ganha.





