Sequência de erros




A história se repete. A seleção brasileira, pentacampeã mundial, dá mais um vexame. Dessa vez, o time de Carlos Alberto Parreira foi eliminado na primeira fase da Copa das Confederações, competição que reúne as melhores seleções de 2002. E o pior: o grupo brasileiro tinha Camarões, Estados Unidos e Turquia, seleções sem ''tradição'' no futebol mundial.

A sequência de fracassos do futebol brasileiro começou na Copa da França, em 1998, com o até hoje inexplicado ''Caso Ronaldinho''. Em 2000, na Olimpíada de Sidney, a seleção de Vanderlei Luxemburgo deixou de ganhar uma histórica medalha de ouro. Perdeu para Camarões. Em 2001, outro vexame. O time comandado por Emerson Leão foi eliminado na Copa das Confederações. Perdeu até para a fraca equipe da Austrália. Leão foi crucificado pela imprensa e pela torcida brasileira e demitido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Veio Luiz Felipe Scolari. O Brasil sofreu nas Eliminatórias, mas se classificou para a Copa da Coréia e do Japão, na qual terminaria como pentacampeão mundial.

Felipão conseguiu dar um bom padrão ao time brasileiro. Foi campeão, mas largou todo o trabalho pelo caminho. Após várias tentativas frustradas foram cogitados vários nomes para dirigir a seleção, mas nenhum convite foi aceito , a CBF acabou acertando o retorno de Parreira, que conquistou o tetracampeonato na Copa dos Estados Unidos, em 1994.

Com Parreira, iniciou-se um novo trabalho na seleção. Novos jogadores, nova dinâmica de treinos, novo esquema tático. Vieram os amistosos e o que se viu foi um time apático, sem criação e sem vontade. Mas Parreira insistiu nos erros e acabou eliminado da Copa das Confederações.

Parreira é um bom técnico, já provou isso, mas também já provou que é teimoso, como a maioria dos técnicos que já passaram pela seleção. A convocação é o auge para a teimosia. Quem não lembra de Romário, aclamado pelo povo e preterido por Felipão para o Mundial do ano passado.

Mas não é só a teimosia do técnico que faz com que os resultados não sejam aqueles esperados pela torcida brasileira. A falta de planejamento, a difícil renovação de um time campeão e o descaso dos jogadores em vestir a camisa amarela são os principais pontos que interferem diretamente na seleção brasileira.

O primeiro ponto tem um obstáculo quase que instransponível. Chama-se Ricardo Teixeira, presidente da CBF. É ele que manda e desmanda no futebol brasileiro. Marca amistosos como melhor lhe convém. Bom para os cofres da CBF, não para o futebol brasileiro. São jogos contra seleções inexpressivas, que nada somam ao trabalho do treinador.

O segundo e o terceiro casos andam lado a lado. Como o treinador tem pouco tempo para renovar o time, fica difícil identificar quem tem capacidade ou vontade para jogar na seleção. Pelo menos foi o que se viu na Copa das Confederações, que terminou ontem para a seleção brasileira com um melancólico empate com a Turquia.

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