As desigualdades e suas causas
O Brasil do governo Luiz Inácio Lula da Silva é desigual para as suas também diferentes faixas populacionais. Está nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na quarta-feira e são, portanto, incontestáveis do ponto de vista oficial. Pois conforme a Síntese de Indicadores Sociais 2002, ocorreram algumas melhoras nas condições de vida dos brasileiros, mas ainda há desigualdades gritantes em áreas como a saúde, a educação e a condição de domicílio. Por um comparativo básico é possível saber a causa: o 1% mais rico da população acumula, segundo o levantamento do IBGE, o mesmo volume de rendimentos dos 50% mais pobres. E mais: os 10% mais ricos ganham 18 vezes mais que os 40% mais pobres, numa equivalência difícil de ser atingida. Seria a disparada demonstrada num gráfico em linhas que cada vez mais se afastam, saindo de R$ 149,85 para os mais pobres para R$ 2.744,30 para os mais ricos.
  Embora o Brasil com este quadro seja, no momento, comandado por Lula da Silva, cabe deixar claro que a situação é uma herança, de caráter histórico. E o ônus não é somente do presidente que ocupou os palácios de Brasília antes. Vários presidentes, desde muito antes do regime militar, se houvesse a necessidade de um julgamento teriam que responder pela situação do momento. Tais números, aplicados no Paraná, pouco diferem do quadro nacional. O 1% mais rico detém 13,7% do total de rendimentos, enquanto os 50% mais pobres ficam com 15,9% da renda do Estado. Na questão salarial, os 10% mais ricos ganham cerca de R$ 2,8 mil, o que equivale a 16,4 vezes mais que os 40% mais pobres, cuja renda é de aproximadamente R$ 170,00.
  Por que o Brasil de Lula da Silva está assim? A resposta básica não foge também do tom discurso de décadas. Mas é a verdade. O Brasil dos governos anteriores pouco se importou – com raríssimas exceções – com este problema. As desigualdades sociais, em realidade, jamais fizeram parte dos conteúdos das políticas de governo, principalmente como prioridade. E, quando se fez, a característica das ações foi de paternalismo. E todo projeto paternalista é imediatista. Percebe-se que, das cestas básicas aos cartões de cidadania, os avanços existem. Se não é comida, distribui-se gás de cozinha. E leia o leitor que este exemplo, dos mais simples, limita-se ao pequeno espaço de uma cozinha – quando ela existe – de uma moradia de baixa a média qualidade, onde, com certeza, preparam as refeições os 50% mais pobres.
  E por que o Brasil de Lula da Silva precisa mudar, sair da promessa de campanha e ter ações que comecem a eliminar as tais desigualdades? Porque até agora, os grandes projetos lançados ou anunciados por este governo, também têm forte caráter assistencialista. Seguro para pequenos produtores rurais, bolsas para a educação e os portadores de debilidades mentais, fome zero e outros programas semelhantes apenas remendam buracos. O País precisa de projetos políticos para equacionar seus problemas e os mandatos dos governos que freqüentam os palácios não são tampões. Então, é hora de ação.

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