Agir para evitar mais prejuízos
O Congresso Nacional deve instalar hoje uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), formada por deputados e senadores, para investigar a transferência irregular de US$ 30 bilhões, através do Banestado, para o exterior. Há quem desconfie que esse valor seja bem maior. Até a última semana o governo federal havia demonstrado que não desejava esta CPI. O Senado também não queria. Mas o presidente da Câmara, João Paulo Cunha, ao contrário, decidiu que a CPI seria instalada com ou sem o apoio do Senado.
Ontem se chegou a um acordo para que a comissão fosse formada pelas duas casas legislativas. A explicação para o governo tentar barrar a comissão era de que os holofotes que devem ser direcionados para a Comissão podem prejudicar a votação das reformas da Previdência e tributária.
Independente do que pode vir a acontecer, desvendar de uma vez por todas o que aconteceu com as famigeradas contas CC5 contas especiais para que pessoas que tenham atividades ou empresas no exterior possam fazer transações monetárias é necessário.
Enviar dinheiro para o exterior não é ilegal nem imoral, desde que ele seja declarado ao fisco e tenha origem lícita. O que se sabe, porém, é que grande parte do dinheiro mandado para fora do País através do Banestado tem várias origens, menos as consideradas lícitas.
Doleiros, empresários e políticos, como já constatou a Polícia Federal, usavam os chamados laranjas para movimentar as contas. Essas transferências ilegais, que ajudam a lavar o dinheiro do crime, dão um enorme prejuízo ao País. A CPI é necessária justamente por isso. Para apresentar quem são os criminosos; descobrir os mecanismos usados e criar regras mais rígidas para evitar futuros crimes desta natureza.
O Brasil precisa, como já fizeram outros países, entrar no caminho da legalidade. Precisa mostrar que é sério para obter o respeito da própria população, tão maltratada no seu dia a dia. Só desta forma pode obter o respeito do resto do mundo. Esse respeito não se conquista apenas com discursos, mas sim, com ação. E ação é o que o País precisa neste momento, tornando estranha a preocupação do governo sobre o ofuscamento dos debates das reformas tributária e da Previdência caso se instale a CPI do Banestado.

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