A verdade precisa ser dita
As investigações sobre o tumulto de sexta-feira, nas proximidades do terminal de transporte coletivo de Londrina, durante protesto de estudantes contra o reajuste da tarifa do ônibus urbano, embora ainda no princípio já acumulam indícios de manipulação da massa estudantil por parte de grupos com interesses políticos. Como já enfatizado neste espaço, boatos sobre esta possibilidade eram fortes desde a data do incidente, quando uma pessoa portadora de deficiência foi atropelada por um ônibus e dois veículos foram apedrejados pelos manifestantes.
Ontem, algumas informações já levavam à comprovação de que aproveitadores usaram desavergonhadamente os adolescentes. Até veículos, com suspeita de uso de placas frias, teriam transportado parte dos escolares das proximidades de alguns estabelecimentos de ensino até o local da manifestação.
No mínimo, esta informação esclarece, em parte, como se processou a mobilização dos adolescentes. Só pode ter ocorrido incitação da massa por grupos externos das escolas e do movimento estudantil, visto que este não teria recursos para contratar carros ou consegui-los gratuitamente para transportar os escolares. Pois é inadmissível pensar que professores e diretores passaram de sala em sala para liberar seus alunos, indicando que a tarefa do dia, naquela sexta-feira, seria realizada nas proximidades do terminal de ônibus.
Visar retorno político à custa de inocentes é, na realidade, além de imoral e fora de ética uma atitude que joga para o ralo tudo o que se faz para moralizar a política. Pior é ter que desconfiar que não somente um, mas dois ou mais grupos agem assim. Claro, não são eles que pagarão pelo alto custo desta iniciativa infeliz. A sociedade arcará com o preço.
Não há dúvida, o custo do transporte coletivo é alto, mais inclusive do que o da capital do Estado, onde a proposta de um novo reajuste, conforme anunciado na edição de hoje deste jornal, elevaria a tarifa do transporte metropolitano para R$ 1,55. Longe, portanto, a idéia de condenar quem protesta contra esta situação. Desde que exercendo a plena cidadania, qualquer pessoa tem, em determinado momento da vida, a necessidade de se juntar aos seus pares para manifestar o que sente e lutar por aquilo que acha ser um direito.
Mas, repete-se, os oportunistas não dão tréguas. Havendo descuido, capitalizam as ações de outros em benefício próprio. E quanto mais espaço adquirem, mais cobram dos outros. Mesmo que este outros estejam empenhados nas lutas que deixam de ser seus princípios, conceitos, ética, moral e disciplina. Mesmo, inclusive, que o custo seja um atropelamento.

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