Hora de admitir os erros
Procedimentos equivocados de algumas autoridades levaram ao descontrole a questão do reajuste da tarifa do ônibus urbano em Londrina, que culminou, na sexta-feira, com o atropelamento de uma pessoa portadora de deficiência durante protesto nas imediações do terminal de transporte coletivo, no centro da cidade. A primeira questão a ser analisada e esta análise tem que ser feita, para que episódios parecidos sejam evitados é o da formação política dos adolescentes que participaram das manifestações.
É recomendável lembrar que, no passado, as mobilizações estudantis exigiam de seus participantes boa dose de conscientização sobre o que fariam e, sobretudo, sobre as consequências que poderiam advir. O regime militar mantinha observadores inclusive nas escolas. Um descuido e o estudante era fichado. Os mais afoitos fatalmente eram interpelados pela polícia política, com alguns sendo interrogados. Então, ninguém participava de uma manifestação simplesmente para marcar presença. Como se dizia na época, quem se engajava entrava nas lutas com a firme disposição de responder pelos seus atos, caso caisse nas mãos do regime. Em outras palavras, existia ideologia, aquilo que o cantor e compositor brasileiro Cazuza, cantou de forma simples e entendível para as gerações que viveram a adolescência anos depois do fim da chamada ditadura militar.
Hoje, não por culpa da juventude de agora, mas por falha das gerações anteriores, valores foram perdidos. Talvez os jovens que pintaram as caras para buscar o impeachment de Fernando Collor de Mello tenha sidos os últimos a viver uma experiência de luta pela democracia. A massificação da informação, a luta diária dos mais velhos e a modernidade que aconteceu de forma inversa, menosprezando coisas importantes do passado trouxeram esta situação.
E o protesto contra o reajuste da tarifa de ônibus virou concentração descordenada, sem princípio, meio e fim. Cenas da Câmara de Vereadores tomada pelos estudantes jamais seriam vistas em outras épocas, pois o próprio movimento estudantil abominava atitudes que revelassem desordem. Então ninguém tomava uma casa de leis para se esticar nas poltronas com as pernas jogadas sobre mesas.
Essa leitura, mesmo que cause dor para os jovens, é necessária. Pois algumas autoridades londrinenses a desprezaram e permitiram, com omissões, que adolescentes levassem os protestos a um desfecho trágico. Qualquer negociação, ontem, hoje e sempre, tem como base o diálogo. E o que faltou foi justamente a disposição de conversar com os adolescentes, que em seu imaginário lutavam pelo bem da comunidade. A causa era nobre, mas ninguém disse a eles que a luta tem regras e disciplinas para que não resulte em fracasso.

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