Quando a causa se torna justa
De repente, a casa de leis foi tomada por um grupo de estudantes. Seria um protesto contra o reajuste do valor da tarifa de ônibus urbano em Londrina, desde que feita de forma ordeira. Manifestações, enfim, fazem parte da natureza humana e, mais do que isso, quando somadas às referências políticas de cada cidadão, explodem em determinado momento e de acordo com as circunstâncias que se apresentam. Teriam, portanto, além de objetivos claros, disciplinas capazes de exercer pressão sobre as pessoas do círculo de influência dos temas que geraram os protestos.
Eis a questão: referência política. Sem ela, não se pode exercer o direito de se manifestar, - seja com um panelaço, seja com uma caminhada - soberbamente. Porque sempre sobrarão reparos, feitos por críticos que existem aos montes. E dirão estes que o protesto virou baderna. Tentarão ofuscar o brilho do movimento, e normalmente atingirão seus objetivos.
As grandes manifestações de estudantes do período do regime militar eram organizadas por forças políticas importantes do movimento estudantil. A época era outra, é verdade. A própria situação política do Brasil exigia da juventude melhor compreensão do que ocorria nos bastidores dos governos militares. Lia-se mais, embora a censura aos meios de comunicação de massa fosse rigorosa, a ponto de serventuários do regime manterem plantões diários nas redações dos jornais, para autorizar ou desautorizar a publicação de determinadas notícias.
As Diretas Já, mesmo promovida por experientes políticos da oposição, sempre tiveram a participação importante da juventude brasileira, também coordenada pelos movimentos de estudantes. Como também os ''caras pintadas'', que, com as cores da bandeira nacional, se manifestaram em praças públicas e pátios de colégios, somando forças aos demais movimentos que ocorriam para varrer um período de corrupção do País. Em todas estas manifestações a luta foi válida, porque surtiram resultados esperados pela população. E os participantes, mesmo aqueles que se transformaram em mártires no regime militar, só puderam contribuir com a sociedade brasileira porque souberam protestar com propriedade.
A luta dos estudantes londrinenses contra o reajuste na tarifa do ônibus pode ser também válida. Evidente, não se discute aqui quem é que está com a razão nesta briga: o poder público, as empresas de ônibus ou a população? Mas a respostas é clara, quando se analisa a questão com um enfoque conjuntural, em que as dificuldades atingem a todos, inclusive os usuários de ônibus e os empresários do transporte. Mas deve haver uma luta sóbria. Sem pés sobre a mesa do Legislativo, mas com postura de um movimento que sabe reivindicar de frente e impondo diante dos negociadores o devido respeito que merecem.

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