OPINIÃO DA FOLHA
Um caso de urgência urgentíssima
A palavra composta força-tarefa simboliza ação excepcional. Do mesmo jeito que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que por sua natureza expressa investigação rigorosa. Assim, força-tarefa e CPI deveriam ser medidas urgentes, visando soluções para problemas emergentes e que exijam respostas imediatas.
Mas manias costumam desvirtuar expressões. Os próprios parlamentares eliminaram o caráter de urgência de alguns projetos de leis que discutem e criaram mais um termo: urgência urgentíssima. No correr do tempo, força-tarefa, CPI e urgência urgentíssima passam a tramitar em ritmo pouco emergencial. Na maioria das vezes, ganham, sim, prioridade sobre outros projetos ou ações. Apenas isso.
Londrina está criando a sua terceira força-tarefa para combater a criminalidade. Já existiam duas, recentemente anunciadas, uma para os homicídios e outra para a questão do tráfico de drogas. Esta terceira é para o roubo de carros.
São, sem dúvida, três problemas que exigem soluções imediatas. E houvesse polícia suficiente para equacioná-los, provavelmente não haveria necessidade de rotular as ações que se pretende. Bastaria agir. Evidente, seria a tarefa a ser cumprida pela força policial, que a partir do cumprimento do seu papel abasteceria o Ministério Público e consequentemente a Justiça com os inquéritos e o posterior oferecimento de denúncias contra os suspeitos. E, trivial, a Justiça condenaria ou absolveria os denunciados.
Simples, mas inviável. Enquanto a criminalidade aumenta, a força policial se vê fragilizada. Por isso, recorre à força-tarefa. Seria, portanto, quase um apelo, um pedido de ajuda a todos os segmentos envolvidos na questão para que as ações possam ser desenvolvidas.
Mas a busca de soluções para os crimes, como ocorre nas comissões parlamentares de inquérito, parece estar emperrada. As respostas para estes problemas sociais não chegam e o grande vitorioso é a impunidade, que resulta em mais crimes.
Desenganar a polícia, a esta altura, é muita bobagem. Mas é dever cívico debater com esta polícia as formas possíveis de ações. E mais do que uma, duas, três ou quatro forças-tarefas, que surgem quase como expressão de impacto, simplesmente, a sociedade deve incentivar a segurança pública a conjugar o verbo agir, pressionando o governo a dar à polícia condições adequadas para isso.





