Taxa básica e inflação
A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 26,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cria momentos de tensão no País, ao opor setores produtivos da economia, principalmente a indústria e comércio, aos formuladores da política econômica do governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os que pregam a redução dos juros, como meio de estimular a retomada do crescimento econômico, está o vice-presidente da República, José Alencar. Por enquanto, os pleitos têm caído no vazio, porque o BC tem insistido em ''passar ao largo'' acenando com uma excessiva cautela de ''manter a inflação sob controle'', e, por isso, não mexe na Selic.
Empresários têm insistido que os juros altos comprometem a retomada do crescimento do Brasil, porque mantêm inibido o consumo, que desacelera a produção e que, por consequência, impede que a indústria se modernize e amplie a capacidade produtiva. Em bom português, há em andamento uma política que engessa a economia: as linhas de crédito são tímidas e caras; o poder aquisitivo da população tem se deteriorado; as vendas no atacado e varejo estão muito aquém do esperado. O cenário é propício ao agravamento do quadro de estagnação que o País vive.
No entanto, ao manter elevada a taxa dos juros básicos, o Brasil torna-se porto seguro para o aporte dos investimentos de curto prazo, meramente especulativos. Ocorre que a recessão que se acentua nas principais potências capitalistas faz com que investidores locais acabem optando por aplicações nos chamados mercados emergentes. Entre eles, o Brasil. Ou seja, por aqui é possível em um ano obter lucros que demandariam quase uma década a ser conseguido em outras economias. Mas o risco é alto, pois esse capital que chega rápido também pode sair rápido, tão logo concretize os lucros.
Caminho contrário ao do Brasil percorrem a Europa, Estados Unidos e Japão. Diante dos baixos índices de crescimento econômico na região do euro, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu anteontem reduzir a taxa de juro anual de 2,50% para 2%. A expectativa é que a economia comece a ''andar'' no segundo semestre. A Inglaterra manteve os juros em 3,75%, enquanto que no Japão as taxas estão próximas de zero.
Os Estados Unidos se viram como podem para tentar estimular o consumo e, em consequência, reaminar a economia. O Fed (o banco central local) fixou em 1,25% a taxa de juros, índice nada atraente para investimentos no mercado financeiro. A estratégia é fazer com que o povo norte-americano volte a consumir e a girar o mercado. Indo além, o governo norte-americano, com o aval do Congresso, promoveu, no final de maio, um corte nos impostos da ordem de US$ 350 bilhões, menos da metade dos US$ 726 bilhões propostos pelo presidente George W. Bush, que justificou a medida dizendo que ''ao assegurar que os americanos tenham mais para gastar, para economizar e para investir, essa legislação está dando combustível para uma recuperação econômica''.
No Brasil, porém, esta máxima parece que está fora da realidade.

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