Pelo meio ambiente
Solenidades e celebrações jamais resolverão os problemas ambientais brasileiros, mesmo que simbolizadas por plantio de árvores ou multirões de limpeza de nascentes de rios. Mas é incontestável que tais atos são importantes e capazes de criar no cidadão o espírito crítico necessário para o seu desenvolvimento como ser humano, desde que seus organizadores trabalhem com este objetivo. Ou seja, transformando a celebração em um acontecimento cívico e, consequentemente, permutando o simbolismo por compromisso.
Este 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, pode ser considerado o primeiro de um novo tempo, pois acontece nos meses iniciais de novos governantes nas esferas federal e estadual. Quanto ao Brasil, o meio ambiente parece estar bem representado politicamente, pois a autoridade que responde pela pasta é das bases dos movimentos não-governamentais, inclusive o ecológico, e mostra-se disposta a cumprir o seu papel enfrentando com energia as eventuais pressões que costumam ser focalizadas no governo, por grupos políticos e econômicos que enriquecem à custa da depredação ambiental.
O mesmo se diz do Paraná, Estado atualmente privilegiado nesta área por ter na pasta do meio ambiente uma autoridade que iniciou carreira política, como vereador em Londrina, tendo a defesa da natureza como alicerce de seu projeto político. Muito, porém, tem de ser feito. Uma boa política estadual é necessária, de forma a funcionar como diretriz para as políticas municipais.
E a questão é justamente esta: celebrações e solenidades ocorrerão em praticamente todas as localidades, onde crianças, provenientes de diferentes escolas, aplaudirão prefeitos e convidados após o plantio de algumas mudas. E acreditarão elas, no primeiro instante, que a planta vingará. Dará flores e sombra, quando também não puder oferecer frutos.
Entretanto, perceberão no futuro, enquanto crescem, que se a árvore resiste é por esforço próprio. E que não só do plantio de uma árvore depende a preservação da natureza. Aos políticos, concluirão os cidadãos do amanhã, cabe a ação política; e ao homem comum, desde os pequenos atos preservacionistas até a defesa de grandes bandeiras. A natureza cobra isto do ser humano.

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