O custo do pedágio
Paga-se R$ 21,70 de pedágio para ir de Londrina a Curitiba, em cinco praças de cobrança instaladas pelas concessionárias das rodovias no percurso. Em três delas, a tarifa é de R$ 4,50. Em outra desembolsa-se R$ 4,80 e na última R$ 3,40. Numa viagem de ida e volta, o custo do pedágio, no trecho de cerca de 400 quilômetros, é de R$ 43,40.
Caso o viajante disponha de um veículo de linha popular, de passeio, com motor menos potente e sem acessórios que aumentem o consumo de combustível, a gasolina de ida e de volta custará cerca de R$ 110,00. O cálculo é feito com base num carro que faça cerca de 15 quilômetros com um litro de gasolina, desde que a estrada seja satisfatória. Alguns fabricantes garantem que seus modelos populares chegam a fazer até 17 quilômetros por litro de gasolina, em rodovia de mesma condição.
Já dentre os motoristas, fanáticos costumam anunciar, em altos brados, que seus veículos fazem até 20 quilômetros por litro. Mas, para efeito de demonstração, melhor trabalhar com o que percorre o trecho consumindo os 15 quilômetros por litro. O preço da gasolina também é diferente durante o percurso. Quem sai de Londrina com o tanque cheio, pagou a média de R$ 2,05 pelo litro do combustível. Na volta, se o tanque foi completado em Curitiba, encontra-se posto vendendo o produto até por menos de R$ 1,90 o litro, conforme cotação do último final de semana.
Confira o leitor que a proporção do custo do pedágio em relação ao combustível é de aproximadamente 40%. De R$ 110,00 para mais R$ 43,40, o custo de uma viagem de passeio torna-se desestimulante, pois o dinheiro do pedágio alimentaria até quatro pessoas adultas em um restaurante de padrão inquestionável, no sistema de self-service, incluindo refrigerantes e sucos. Com mais sorte, dependendo do estabelecimento escolhido é possível incluir uma boa sobremesa, ou pelo menos o sorvete que as crianças pedirão depois da refeição.
Caso a viagem for de trabalho, os R$ 43,40 do pedágio, fatalmente, terão que ser pagos por alguém. Se o viajante for um representante comercial, por exemplo, não será justo que a despesa fique por conta dele. A empresa que representa assumirá o custo, que comporá os cálculos para a fixação do produto ou do serviço oferecido. E a mesma família que viajou a passeio, pagando pedágio de R$ 43,40, correrá o risco de estar participando do rateio do custo deste mesmo pedágio, no almoço, no cafezinho, na peça do carro, na roupa que está vestindo durante o trajeto. E, de rateio a rateio, poderá pagar mais que os R$ 43,40.
É verdade, as estradas que compõem o Anel de Integração, no Paraná, estão bem sinalizadas. Também não se encontram buracos. Mas tudo isso é o mínimo que o usuário poderia esperar, pagando tarifa tão elevada. Sinalização e pavimentação sem buraco, somado à estrutura de atendimento dos viajantes, teriam que custar menos. Metade? Menos da metade? Ou, para quem já paga tantos impostos, inclusive o IPVA, no caso de proprietário dos veículos, teria direito a uma viagem segura e confortável sem ter que desembolsar em pedágio? Parece ser esta a resposta mais adequada. Eis a verdadeira questão a ser debatida.

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