OPINIÃO DA FOLHA
O País tem urgência de mudança
Se por um lado, o carisma ainda mantém a popularidade do presidente Luiz Inácio da Silva em alta, por outro, o início do governo petista começa a emperrar por não dispor sinalizar que as metas prometidas serão realmente alcançadas, como a retomada da produção, a geração de 10 milhões de empregos e, fechando o ''círculo virtuoso'', o aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores. Ao contrário, a economia apenas patina e não há sinais firmes de que pode deslanchar.
Enquanto assessores diretos do presidente se apressam a exibir indicadores atraentes para o mercado financeiro o superávit primário, que só em abril foi de US$ 9,849 bilhões, reforça o caixa e garante o pagamento das dívidas e de seus juros, em função da meta de superávit de 4,25% acertada com o FMI , a onda de descontentamento com os rumos econômicos que o País trilha vem aumentando, principalmente depois que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a Selic em 26,5% ao ano.
Por mais que se esforce em manter a popularidade, de ainda manter o ''olho no olho'', como tem repetido o presidente Lula, mais dia, menos dia, fatalmente o governo vai se dar conta de que a decisão de manter os juros elevados contra o desejo da maioria dos empresários e comerciantes, com reflexos nos investimentos e no consumo, e a falta de clareza em itens importantes como as reformas tributária e da Previdência, entre outros, têm paralisado o País. Por exemplo, a CNBB, aliada de primeira hora do PT e do presidente Lula, fez severas críticas ao governo na semana passada, acusando-o de submeter-se às regras do mercado. Por esta ótica, ainda segundo a entidade, os indicadores financeiros vão bem, enquanto os sociais, vão mal.
O ministro Francisco Fausto, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), vai mais longe e conclui que o desemprego que atingiu 20,6% da população economicamente ativa na Grande São Paulo, em abril, é consequência do prolongamento da política neoliberal dos últimos oito anos, sob a batuta do tucano Fernando Henrique Cardoso. Para o ministro, o governo precisa tomar a coragem de adotar uma ''política social justa'' que gere emprego e renda para grande parte da população.
Enquanto o imobilismo prevalece, o Brasil vê o Produto Interno Bruto a soma das riquezas do País encolher. Segundo o IBGE, houve queda de 0,1% no PIB em relação ao quarto trimestre de 2002. A mudança, prometida em campanha, tem urgência.





