Dança dos políticos
A dança dos políticos que pretendem disputar vagas nas prefeituras e câmaras municipais já começou. Reportagem hoje e também na edição de ontem deste jornal mostra ao leitor que, a partir deste momento, nem sempre o homem-candidato terá a ver com a sigla a que pretende se filiar, visando melhorar a sua condição de pleiteante à candidatura. Evidente, não se fala de todos, mas de alguns. Porém, estes alguns, nos mais de cinco mil municípios brasileiros, podem ser muitos. E, de repente, o eleitor se deparará, na boca da urna, com uma leva de candidatos sem cor partidária. Esquerdistas de ontem serão os direitistas de amanhã. Centristas tentarão se eleger pela esquerda, quando ontem também tentaram pela direita.
O que representaria, para tais políticos, uma reforma partidária? Imagina-se que qualquer mudança proposta tenha como objetivo a busca de uma moral, quando não for ética, na política. Partidos, pois, costumam ter princípios e filosofias próprios, e estes servem justamente para aglutinar políticos que concordem e defendam uma cartilha contendo propostas neles baseadas. Assim, formularão suas propostas e defenderão seus projetos em palanques sobre uma plataforma alicerçada num conjunto de regras, objetivos, planos e idelogias que não se choquem. Não terá moral e nem ética, portanto, aquele que defendeu ontem a invasão de terra e no dia seguinte condene esta forma de forçar a reforma agrária. Vale também para o contrário, pois embora a questão agrária seja neste momento apenas um exemplo, haverá, com certeza, pelo menos um candidato que do dia para a noite mudou de idéia sobre determinado tema. Ou melhor, ajeitou seu ponto de vista de acordo com o ideal proposto pelo partido a que está afiliado.
Uma reforma partidária, aprovada com lisura e competência, deverá aparar arestas que hoje permitem a dança dos políticos. Ou, como alguns preferem denominar, a dança dos partidos. De uma ou de outra forma, o que se percebe é que, do jeito que está, há prejuízos de monta para a democracia. Esta se fragiliza e por consequência detonará também as instituições responsáveis pela sua manutenção, sobretudo o legislativo.
Infelizmente, o eleitor brasileiro de agora ainda não pode experimentar um sistema diferente. Nem aquele que viveu o período do bipartidarismo pode se considerar calejado em todos os níveis, uma vez que as eleições eram parciais. Ainda assim, tinham nos candidatos da extinta Arena os defensores da idelogia da Revolução de 1964. E nos do extinto MDB, os políticos de oposição. Agora, na dança, quem é quem, pergunta o eleitor? Haja reforma para que o voto passe a ser um exercício menos complicado.

mockup